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Chineses cooptaram brasileiros e criaram golpe com 'suposto doutor da USP' em pirâmide de R$ 1 bi

Golpistas usaram uma plataforma falsa de investimentos, envolvendo criptomoedas e lavagem de dinheiro, para enganar vítimas em diversas cidades do Brasil

Agência o Globo
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Publicado em 4 de setembro de 2025 às 12h45.

A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, nesta terça-feira, uma operação para desmantelar a pirâmide financeira EBDOX, que prometia altos lucros por meio de investimentos em uma plataforma fraudulenta.

Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de três mandados de prisão temporária em diversas cidades, incluindo São Paulo, Guarujá (SP), Boa Vista (RR), Curitiba (PR), Dourados (MT) e Entrerios (BA).

Golpe atraía vítimas pelo WhatsApp

De acordo com o delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia do DF, as vítimas eram atraídas por meio de grupos no WhatsApp. Anúncios divulgavam a presença de um suposto "doutor em economia da USP", que oferecia dicas sobre investimentos e o mercado financeiro. No entanto, o que parecia ser uma orientação de um especialista era, na verdade, alimentado por inteligência artificial.

Por trás do falso especialista, havia brasileiros que integravam a estrutura fraudulenta. Contudo, os responsáveis diretos pelas fraudes eram indivíduos de nacionalidade chinesa, que operavam a partir da região central de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, esses golpistas montaram uma rede de monitoramento com catálogos em chinês, utilizando criptomoedas para remunerar os envolvidos no esquema.

Uma vez que os golpistas ganhavam a confiança dos participantes, indicavam a plataforma EBDOX para novos investimentos, que supostamente seriam feitos em moedas digitais.

No entanto, o dinheiro das vítimas nunca era investido. Ao invés disso, os golpistas movimentavam os fundos por meio de empresas e negócios diversos, sendo que uma única empresa movimentou mais de R$ 1 bilhão em 2024.

Falsa promessa de devolução do dinheiro

Após a retirada da plataforma EBDOX do ar, os estelionatários alegaram que a Polícia Federal havia bloqueado os investimentos. Para liberar o dinheiro "preso", as vítimas eram instruídas a pagar uma caução de 5% do valor investido. No entanto, após o pagamento, as vítimas nunca receberam seus investimentos de volta.

A Polícia Civil também detalhou os métodos de lavagem de dinheiro utilizados pelos golpistas. Os recursos eram lavados por meio da compra de criptomoedas, créditos de carbono e até mesmo pela exportação de alimentos de Boa Vista para a Venezuela. Apenas uma vítima, de Taguatinga (DF), registrou um prejuízo de R$ 200 mil.

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