Medicação é comercializada nos EUA desde 2023 (Okskaz/Getty Images)
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 14h35.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para demência leve causada pelo mal de Alzheimer. O Leqembi é utilizado para desacelerar a destruição do cérebro.
A liberação foi concedida no final de dezembro. O Alzheimer não tem um tratamento definido, apenas medicações para os efeitos colaterais.
O Leqembi é produzido com base no anticorpo lecanemabe.
O ativo é semelhante ao que o corpo humano produz para atacar vírus e bactérias. Ele é usado para ativar o sistema imunológico e incentivar a limpeza da amiloide no cérebro.
Na prática, o medicamento atua contra a beta-amiloide, uma substância pegajosa que se acumula no cérebro de pessoas com mal de Alzheimer.
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Nos últimos anos, a ciência avançou pouco em relação a tratamentos que freiem o desenvolvimento do Alzheimer.
Na década de 70, as opções eram limitadas e ofereciam apenas suporte para os pacientes com terapias não comprovadas. Desde então, a medicina conseguiu descobrir a raiz da doença e abrir espaço para opções mais embasadas.
Para o neurocirurgião do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Helder Picarelli, a nova linha de pesquisa representa "uma oportunidade para intervir na evolução da doença".
Ele alerta que, mesmo que seja promissor, ainda é preciso aguardar antes de atestar o tratamento um sucesso no combate à doença.
Esse tipo de terapia é usa um anticorpo específico, ele tem modificado o tratamento, mas ainda é novo. Acho que a gente precisa aguardar um 'pouquinho' mais para ter uma conclusão definitiva
A eficácia do Leqembi foi comprovada em um estudo de 2022 realizado com 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial.
Em 18 meses, o tratamento reduziu o declínio cognitivo-funcional dos pacientes e retardou o avanço da doença.
O medicamento foi aprovado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, em 2023. Desde então, ele é comercializado no país.