Colheita de soja: Apesar da revisão na produção, o USDA manteve em 114 milhões de toneladas a estimativa para as exportações de soja do Brasil na atual temporada. (Paulo Fridman/Bloomberg/Getty Images)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 14h47.
Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 15h20.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou de 178 para 180 milhões de toneladas a projeção da safra de soja do Brasil em 2025/26. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 10, no relatório de oferta e demanda do USDA.
Este foi o primeiro reajuste do órgão americano desde o início das estimativas sobre a produção brasileira, em junho de 2025.
O aumento segue a mesma tendência de algumas casas de análise, que estimam que o país deve colher entre 179 e 181 milhões de toneladas de soja.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no entanto, projeta uma produção de 177 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
Apesar da revisão na produção, o USDA manteve em 114 milhões de toneladas a estimativa para as exportações de soja do Brasil na atual temporada.
A colheita da soja no Brasil segue em ritmo acelerado, mesmo com o El Niño no radar. Segundo dados da AgRural, a colheita da safra 2025/26 alcançou 16% da área cultivada até quinta-feira, 5, avanço em relação aos 10% registrados na semana anterior e ligeiramente acima dos 15% observados no mesmo período do ano passado.
Os trabalhos foram impulsionados principalmente por Mato Grosso, maior produtor do país. Apesar das chuvas mais intensas na semana passada, os produtores do estado conseguiram avançar com a colheita nos períodos mais firme, mantendo o bom ritmo das operações.
O estado, inclusive, deve voltar a colher uma safra robusta, estimada em 50,5 milhões de toneladas, de acordo com projeção atualizada do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A produtividade média esperada foi reajustada para 64,73 sacas por hectare, alta de 7,06% em relação à estimativa anterior.
Para as próximas semanas, o cenário climático em Mato Grosso continua majoritariamente favorável, com expectativa de manutenção no ritmo da colheita.
As preocupações, no entanto, se concentram no Rio Grande do Sul, um dos principais estados produtores do grão.
Segundo a AgRural, a estiagem e o calor intenso seguem preocupando o estado e também o sul de Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas em fevereiro serão decisivas para o desempenho da safra.