Startup de bactérias do deserto capta quase US$ 4 milhões de investimento

Empresa da Argentina atrai aportes da brasileira SP Ventures e outros fundos de investimento; ideia é conquistar mercado americano e brasileiro com bioinsumos
Fertilizantes: startup argentina capta quase US$ 4 milhões de investimento (Getty Images/Getty Images)
Fertilizantes: startup argentina capta quase US$ 4 milhões de investimento (Getty Images/Getty Images)
Carla Aranha
Carla AranhaPublicado em 05/09/2022 às 17:42.

A startup Puna Bio, da Argentina, captou 3,7 milhões de dólares em uma rodada de investimentos liderada pela At One Ventures e Builders VC, com a participação da SP Ventures e Air Capital. Os recursos deverão ser utilizados para lançar um bioinsumo voltado para a nutrição da soja e expandir os testes com culturas como o trigo e o milho. A expectativa é que os produtos, à base de microorganismos originários do deserto de Puna, na Argentina, sejam aprovados por órgãos reguladores do Brasil e Estados Unidos, países em que a empresa prentede começar a atuar. Por enquanto, a startup atende apenas o mercado argentino.

A Puna Bio, fundada em 2020, desenvolve pesquisas com extremófilos, microorganismos capazes de sobreviver em condições adversas, como o deserto. Os estudos são voltados especialmente a bactérias com propriedades para agir como nutrientes das plantas. "Os insumos biológicos produzidos a partir dos microorganismos do deserto permitem que os agricultores reduzam o uso de fertilizantes", diz a bióloga María Eugenia Farías, co-fundadora da startup. Pesquisas sobre as propriedades das bactérias que vivem em condições extremas ajudam a entender como genes específicos podem auxiliar as plantas a superar condições de estresse e se desenvolver, segundo Farías.

A empresa isolou e desenvolveu cepas de microorganismos que reduzem a necessidade do uso de fertilizantes em cerca de 20%, de acordo com a empreendedora. A evolução das pesquisas sugere que esse porcentual pode aumentar para 30%.

Entre julho do ano passado e o mesmo período deste ano, o preço dos fertilizantes disparou no mercado internacional, passando de 335 dólares por tonelada para 770 dólares. Os principais aumentos ocorreram neste ano, a partir do início da guerra na Ucrânia. O conflito e as sanções à Rússia, um dos maiores produtores de fertilizantes do mundo, ao lado da Ucrânia e outros países da região, desestabilizou o mercado.

Em julho, o produtor rural brasileiro pagou cerca de 682,7 dólares por tonelada, um acréscimo de 138% em comparação com julho de 2021, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia. Com previsões positivas sobre a safra de soja e milho, a importação de fertilizantes bateu um recorde em julho, totalizando 23,7 milhões de toneladas, em uma alta de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é que o país produza 289 milhões de toneladas de grãos neste ano, 14% a mais do que no ciclo anterior, de acordo com estimativas da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

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