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Por que os preços do azeite devem cair em 2025?

Maior marca de azeite da Itália estima queda de 20% no produto no próximo ano

 (Angel Garcia/Getty Images)

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César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 26 de dezembro de 2024 às 14h05.

Última atualização em 26 de dezembro de 2024 às 14h12.

Os preços do azeite devem registrar uma queda de 20% em 2025, após terem subido até 50% em junho deste ano. O recuo será impulsionado por uma maior produção europeia, principal região produtora de azeite no mundo.

“A expectativa é de uma redução mínima de 20% nos preços já no início de 2025, com possibilidade de novas quedas ao longo do ano. No entanto, a demanda global e o câmbio serão fatores importantes a serem considerados", afirma Leonardo Scandola, diretor comercial da Filippo Berio, marca italiana de azeites na América Latina.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação do azeite de oliva vem desacelerando desde julho de 2024. No mês passado, o produto registrou um aumento de 25%, refletindo um ritmo menor em comparação ao pico de alta de 50% em junho.

Em 2024, os preços do azeite refletiram os impactos de uma seca severa que atingiu as plantações de oliveiras na Espanha, Grécia e Portugal, três dos maiores produtores globais de azeite, ao longo dos últimos dois anos.

Na safra 2023/24, a Espanha, maior produtor mundial, colheu 850 mil toneladas de azeitonas. Para a temporada 2024/25, a previsão é de uma colheita entre 1,4 milhão e 1,6 milhão de toneladas, segundo o Istituto di Servizi per il Mercato Agricolo Alimentare (ISMEA), com dados compilados pela Comissão Europeia.

"Os últimos dois anos foram impactados por condições meteorológicas adversas, que reduziram significativamente a produção em toda a bacia do Mediterrâneo, devido principalmente às altas temperaturas e ao déficit hídrico causado pela falta de chuvas nos meses de verão, quando as azeitonas começam a se formar nas plantas", explica Scandola.

A safra 2024/25 promete ser abundante, com um aumento de volume estimado entre 50% e 60%, elevando a produção global para 3,1 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 23% em relação à temporada anterior.

Apesar da expectativa de uma safra maior, o clima continua preocupando os produtores. Na Itália, por exemplo, a produção deve cair 32%, por causa da seca e ao estresse hídrico nas lavouras.

No Brasil, mesmo com produção própria concentrada na região Sul, o país não consegue atender à demanda local. Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), a produção nacional é de apenas 648 toneladas, o que torna o Brasil fortemente dependente de importações.

Azeite falso

Neste ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), recolheu um total de 98.527 litros de azeite adulterado, parte deles classificado como lampante — um azeite de baixa qualidade caracterizado por alta acidez, sabores estranhos e impurezas, historicamente utilizado como combustível para lamparinas. Em 2023, o Mapa apreendeu de 82.986 litros.

Segundo a pasta, a fiscalização no combate a fraudes é realizada por meio da coleta de amostras fiscais em envasadores, distribuidores e mercados. As amostras são analisadas nos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA), que verificam a conformidade dos produtos com os padrões exigidos.

Vale destacar que a maior parte do azeite de oliva disponível no mercado brasileiro é importada. A classificação e certificação desses produtos são coordenadas pelo Departamento de Inspeção de Origem Vegetal, vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária, que estabelece os padrões oficiais para alimentos e produtos de origem vegetal.

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