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No 15º dia de guerra: Irã ameaça bases dos EUA nos Emirados Árabes, após ataques na ilha de Kharg

Governo de Teerã afirma que exportações da ilha seguem ativas e estão em "pleno andamento"; Trump cobra apoio militar de vários países contra o regime iraniano

Guerra no Irã: ataque contra instalações petrolíferas do Golfo, horas depois de os EUA terem atacado a ilha de Kharg, no Irã ( AFP/Getty Images)

Guerra no Irã: ataque contra instalações petrolíferas do Golfo, horas depois de os EUA terem atacado a ilha de Kharg, no Irã ( AFP/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de março de 2026 às 11h54.

Última atualização em 14 de março de 2026 às 12h23.

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Em resposta aos bombardeios americanos contra a Ilha de Kharg, terminal responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica declarou neste sábado, 14, que portos, docas e instalações militares ligadas aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos passaram a ser considerados “alvos legítimos”.

O comunicado acusa Washington de utilizar essas estruturas logísticas para lançar ataques contra o regime iraniano. Autoridades em Teerã afirmaram que as exportações da ilha seguem ativas e estão "em pleno andamento", apesar das operações militares.

O anúncio ocorreu junto a novos episódios de tensão no Golfo. Houve registros de ataques pontuais em diferentes países da região e relatos de um incêndio no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A instalação fica a cerca de 120 quilômetros de Dubai e funciona como um dos principais centros de armazenamento de petróleo do Oriente Médio.

Localizado no Golfo de Omã, o terminal de Fujairah conecta o Mar Arábico ao Estreito de Ormuz. A posição geográfica mantém o porto fora da área mais sensível para o transporte de petróleo desde o início da guerra. Se confirmada a ofensiva com drones, o episódio indica a tentativa iraniana de ampliar o impacto da guerra sobre o mercado global de petróleo. O movimento amplia a pressão econômica em meio ao conflito regional.

Em comunicado divulgado pela agência iraniana Mehr, um representante do quartel-general central Khatam al-Anbiya — comando responsável pela coordenação das operações do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária — orientou civis nos Emirados a evitarem áreas portuárias e bases militares americanas. O texto descreve esses locais como "esconderijos dos EUA" e recomenda distância para "evitar qualquer dano".

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Desde o início da guerra, o Irã conduz ataques contra alvos localizados nos Emirados, incluindo o aeroporto de Dubai. No comunicado oficial, Teerã afirmou que considera legítima a possibilidade de atacar locais associados aos Estados Unidos no país.

"Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos", afirmou o comunicado. O texto acrescenta que estruturas utilizadas por Washington, como portos, docas e centros logísticos, poderão ser atingidas caso "continuem sendo usadas para ataques contra o território iraniano".

Horas após o aviso iraniano, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça sobre o porto de Fujairah. Autoridades locais informaram que o incêndio ocorreu após destroços de um drone interceptado pela defesa aérea atingirem a área. Segundo o governo local, "não houve vítimas".

Outros países do Golfo registraram alertas de segurança neste sábado. Na Arábia Saudita, autoridades afirmaram ter interceptado 11 drones, enquanto no Bahrein sirenes de alerta foram acionadas e moradores receberam orientação para buscar abrigo.

No Catar, moradores do distrito central de Musheireb receberam notificações de emergência durante a madrugada. O alerta recomendava evacuação imediata para áreas seguras como medida preventiva. A região concentra edifícios governamentais e escritórios de empresas americanas como Google e American Express. Testemunhas relataram explosões após a interceptação de um míssil.

Segundo o jornal Wall Street Journal, um ataque com mísseis iraniano também atingiu a base aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. O impacto danificou cinco aviões-tanques de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos. As aeronaves não foram destruídas.

Ataque à Ilha de Kharg amplia tensão no Golfo Pérsico

Ilha de Kharg: principal saída do petróleo iraniano para o exterior (Reprodução Google Maps)

A ameaça iraniana ocorreu após um dos maiores bombardeios da campanha militar americana contra o Irã. Na noite de sexta-feira, forças dos Estados Unidos atingiram "todos os alvos militares" localizados na Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques “obliteraram completamente todos os alvos militares” da ilha. Ele declarou, no entanto, que decidiu não atingir a infraestrutura petrolífera local "pelo menos por enquanto".

"Por razões de decência, optei por não destruir a infraestrutura petrolífera da ilha. Mas, se o Irã interferir na livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, reconsiderarei imediatamente essa decisão", escreveu Trump na plataforma Truth Social.

Teerã reagiu imediatamente. Um porta-voz do comando militar Khatam al-Anbiya afirmou que qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana poderá levar a ações contra instalações petrolíferas associadas aos Estados Unidos na região.

"Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas", afirmou o comunicado.

Neste sábado, agências de notícias iranianas informaram que o terminal de Kharg continua em operação. As reportagens citam autoridades locais e afirmam que as exportações seguem normalmente, apesar do bombardeio americano.

A agência semioficial Tasnim informou que o terminal permanece "totalmente operacional" e que as atividades "continuam sem interrupção". O relatório acrescenta que não houve registros de vítimas após os ataques.

Trump cobra apoio internacional contra o Irã

Em uma declaração na rede social Truth Social, o presidente americano Donald Trump disse que os países afetados pelo conflito no Oriente Médio enviarão navios militares para proteger o Estreito de Ormuz contra a ameaça de bloqueio do Irã.

No texto, o republicano também cobrou o envolvimento da China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido no conflito contr Teerã.

"Esperamos que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros, afetados por essa restrição artificial, enviem navios para a área para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça de uma nação que foi totalmente decapitada", diz o presidente americano.

Ele também ressaltou que as Forças Armadas dos EUA vão intensificar os bombardeios contra navios iranianos. "De uma forma ou de outra, em breve teremos o Estreito de Ormuz ABERTO, SEGURO e LIVRE!".

'Fase decisiva' da guerra

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou neste sábado, 14, que o confronto contra o Irã avança para um novo momento militar. Segundo ele, a guerra "está se intensificando e entra em uma fase decisiva que se prolongará pelo tempo que for necessário".

Em pronunciamento televisionado, Katz declarou que "Entramos na fase decisiva do conflito, entre as tentativas do regime (do Irã) de sobreviver enquanto inflige um sofrimento cada vez maior ao povo iraniano".

O filho do último xá quer governar

Reza Pahlavi, herdeiro do último xá do Irã e atualmente no exílio, também declarou neste sábado que pretende assumir a liderança do país caso ocorra o colapso do atual regime iraniano.

Em mensagem divulgada nas redes sociais, o opositor, que vive nos Estados Unidos, afirmou que aceitará governar "assim que a república islâmica cair". Ele também informou que trabalha na formação de um grupo de figuras públicas dentro e fora do país para compor um "sistema de transição".

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Ataques nos Emirados Árabes

Os Emirados Árabes Unidos comunicaram que o consulado do país localizado na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque, sofreu um ataque com drone. Trata-se do segundo incidente do tipo registrado na mesma semana.

As forças armadas do Irã também alertaram que consideram portos localizados nos Emirados Árabes Unidos como possíveis alvos militares. As autoridades militares pediram que a população evite permanecer próxima dessas áreas.

Nesta manhã, colunas de fumaça escura foram observadas sobre uma instalação petrolífera nos Emirados Árabes Unidos, segundo relato de um jornalista da agência AFP.

A fumaça teria origem em Fuyaira, local que abriga um porto relevante para o setor de petróleo. O complexo já foi alvo de ataques iranianos que atingiram um centro de armazenamento e comercialização de combustíveis.

Dois navios cruzam o Estreito de Ormuz

O Ministério do Transporte Marítimo da Índia informou neste sábado que duas embarcações com bandeira indiana, transportando gás liquefeito de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz e seguem em direção a portos situados na costa oeste indiana.

A passagem ocorreu em meio a restrições impostas pelo Irã na área. O estreito, por onde normalmente passa cerca de 20% da produção global de petróleo, permanece praticamente bloqueado, embora Teerã tenha indicado que coopera com alguns países para permitir o trânsito de determinados navios.

Macron pede a Israel negociações com o Líbano

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que Israel mantenha "negociações diretas" com o governo do Líbano e com "todos os componentes" do país. O líder francês também sugeriu que os encontros diplomáticos ocorram em Paris.

Apelo do Hamas ao Irã e evacuação

O grupo palestino Hamas pediu neste sábado que o Irã interrompa ataques contra países do Golfo. A organização afirmou que os bombardeios ocorrem como resposta às ofensivas conduzidas por Estados Unidos e Israel na guerra regional.

O Exército israelense solicitou que moradores de uma área industrial localizada a oeste de Tabriz, no norte do Irã, deixem o local. A recomendação ocorre diante da previsão de operações militares "nas próximas horas".

Na noite de sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria "completamente derrotado" e que o país "quer um acordo".

Em publicação na rede Truth Social, ele escreveu: "A mídia que divulga informações falsas odeia noticiar o quão bem as forças armadas dos Estados Unidos têm se saído contra o Irã", acrescentando que o país persa "está completamente derrotado e quer um acordo, mas não um acordo que eu aceitaria".

Ataque à embaixada dos EUA no Iraque

Um drone foi utilizado em um ataque contra a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, segundo um funcionário da segurança iraquiana.

A ação ocorreu após bombardeios realizados antes do amanhecer contra um grupo armado alinhado ao Irã. Os ataques deixaram dois mortos na capital iraquiana, de acordo com fontes de segurança.

Mísseis interceptados no Catar

Autoridades do Catar informaram que dois mísseis foram interceptados.

Em Doha, moradores e hóspedes de hotéis buscaram abrigo em estacionamentos subterrâneos no bairro central de Msheireb, área onde ficam escritórios de empresas americanas como Google e American Express, segundo observação da AFP.

*Com informações da agência AFP.

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