• AALR3 R$ 20,20 -0.49
  • AAPL34 R$ 66,78 -0.79
  • ABCB4 R$ 16,69 -3.75
  • ABEV3 R$ 13,98 -1.13
  • AERI3 R$ 3,67 -0.81
  • AESB3 R$ 10,70 0.00
  • AGRO3 R$ 30,74 -0.32
  • ALPA4 R$ 20,46 -1.35
  • ALSO3 R$ 18,92 -0.94
  • ALUP11 R$ 26,83 0.86
  • AMAR3 R$ 2,41 -1.23
  • AMBP3 R$ 29,84 -2.29
  • AMER3 R$ 23,45 1.56
  • AMZO34 R$ 66,86 -0.09
  • ANIM3 R$ 5,36 -2.72
  • ARZZ3 R$ 81,01 -0.23
  • ASAI3 R$ 15,95 3.24
  • AZUL4 R$ 20,93 -1.46
  • B3SA3 R$ 12,13 2.71
  • BBAS3 R$ 37,15 4.06
  • AALR3 R$ 20,20 -0.49
  • AAPL34 R$ 66,78 -0.79
  • ABCB4 R$ 16,69 -3.75
  • ABEV3 R$ 13,98 -1.13
  • AERI3 R$ 3,67 -0.81
  • AESB3 R$ 10,70 0.00
  • AGRO3 R$ 30,74 -0.32
  • ALPA4 R$ 20,46 -1.35
  • ALSO3 R$ 18,92 -0.94
  • ALUP11 R$ 26,83 0.86
  • AMAR3 R$ 2,41 -1.23
  • AMBP3 R$ 29,84 -2.29
  • AMER3 R$ 23,45 1.56
  • AMZO34 R$ 66,86 -0.09
  • ANIM3 R$ 5,36 -2.72
  • ARZZ3 R$ 81,01 -0.23
  • ASAI3 R$ 15,95 3.24
  • AZUL4 R$ 20,93 -1.46
  • B3SA3 R$ 12,13 2.71
  • BBAS3 R$ 37,15 4.06
Abra sua conta no BTG

OPINIÃO Crédito rural no Brasil: uma breve história de amadurecimento

Em artigo, Bernardo Fabiani, CEO da startup TerraMagna, escreve que o desenvolvimento da agricultura brasileira dependerá cada vez menos da ação direta do Estado e cada vez mais da economia de mercado
 (Reuters/Ueslei Marcelino)
(Reuters/Ueslei Marcelino)
Por Da RedaçãoPublicado em 14/04/2022 13:14 | Última atualização em 14/04/2022 13:15Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Por Bernardo Fabiani

Embora diversas atividades econômicas sejam intensivas em capital, poucas têm uma cadeia de valor tão extensa, complexa e opaca como a agricultura, iniciando-se no exterior com a produção da maior parcela de defensivos e fertilizantes - hoje, mais de 70% desses insumos são importados - e acabando no consumo interno ou, em grande parte, com a exportação da produção.

Quer saber mais sobre o agronegócio? Assine gratuitamente a newsletter EXAME AGRO

Se hoje esse motor da economia funciona bem-afinado e representa um salvo-conduto econômico para o País em cenários adversos devido à sua competitividade internacional e baixa correlação com setores como indústria e consumo internos, pode-se acabar negligenciando o milagre - ou, mais apropriadamente, o projeto e execução incríveis de um projeto de Estado - que permitiu a criação e sustentação dessa cadeia produtiva. Esse motor, hoje bem-afinado, teve de um dia ser projetado e ter sua primeira rotação.

A saída da inércia é mais custosa do que a manutenção do movimento. Embora pesquisa e extensão públicas - por meio da Embrapa e da Embrater - tenham permitido que lavouras em solos tropicais fossem viáveis economicamente em regime estacionário, o investimento necessário para que essas primeiras rotações do motor fossem feitas seria proibitivo para iniciativa privada.

Não coincidentemente, o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) foi criado em 1965 para sustentar a expansão - tanto em área quanto em produtividade - da agricultura brasileira. Com subsídios reduzindo o custo do crédito de forma compatível com o risco da atividade e a tecnologia desenvolvida para agricultura tropical, nossos pioneiros puderam constituir suas lavouras - nossas primeiras rotações do motor, a partir da inércia - e aumentar sua produtividade ao longo do tempo - o motor gira mais rápido, com um eixo melhor alinhado.

Evidência desses dois fatores são o aumento da produção de grãos de 38 milhões de toneladas para 268 milhões de toneladas nos últimos 50 anos. A esse aumento de mais de 600% na produção, correspondeu apenas um incremento de área plantada de 130% - isto é, nossa produtividade cresceu mais do que triplicou durante o desenvolvimento da agricultura moderna no Brasil.

Apesar de esse motor ter sido colocado em movimento com recursos públicos - para pesquisa, para extensão, para equalização de juros, para seguros, para cumprimento de preços mínimos - a continuidade da história de vitória da agricultura brasileira dependerá cada vez menos da ação direta do Estado e cada vez mais da economia de mercado.

A continuidade da história de vitória da agricultura brasileira dependerá cada vez menos da ação direta do Estado e cada vez mais da economia de mercado.

Bernardo Fabiani, CEO da TerraMagna

Hoje, não apenas o setor tornou-se demasiadamente grande para ser completamente atendido por recursos públicos como também desenvolveu a robustez necessária para buscar independentemente os recursos de que necessita. Observamos isso recentemente com o término precoce dos recursos do Tesouro para equalização de taxas por conta do deslocamento da SELIC - e com o fato de que, independentemente disso, a agricultura não parou.

As cadeias de valor construídas em cima de cada pedaço desse nosso chão - fertilizantes, defensivos agrícolas, maquinário, exportação - hoje já representam uma parcela significativa do financiamento ao custeio da agricultura e têm a solidez, sofisticação, capacidade e interesse em manter esse motor em funcionamento.

Finalmente, embora hoje os recursos para financiamento da agricultura estejam sendo paulatinamente deslocados para iniciativa privada - qualquer a fonte do passivo - o balanço de multinacionais, o bolso do poupador ou o mercado financeiro - o Estado continua contribuindo para o financiamento do setor em papéis de altíssima alavancagem, tal como no regulatório e o subsídio a prêmios de seguros.

A exemplo, a Lei Nº13.986/2020 trouxe-nos novos instrumentos de crédito e de garantias, previsão de extraconcursionalidade e a obrigatoriedade de registro digital de Cédulas de Produto Rural (CPRs), permitindo tanto a aferição do estoque desse ativo (R$130B, 2021) quanto trazendo mais segurança para o processo de concessão de crédito; a Lei Nº 14.130/2021 trouxe-nos os FIAgros, cujas primeiras emissões já foram vistas e que tornarão o mercado de capitais uma alternativa de financiamento para o agronegócio análogo àquele que existe para o mercado imobiliário (com R$128B de FIIs listados em 2021).

Com isso, seja na cadeia de insumos, no mercado financeiro, de capitais ou no Estado, a agricultura tem hoje os parceiros que continuarão a municiá-la com recursos para continuar essa história de vitórias começada 50 anos atrás - e de cuja continuidade a segurança alimentar do mundo dependerá nos próximos 50.

Bernardo Fabiani é especialista em concessão de crédito para o agronegócio e CEO da startup TerraMagna, considerada uma das maiores fintechs voltadas ao agronegócio na América Latina.