JBS: banco mantêm recomendação Outperform — indicação de que devem ter desempenho acima da média do mercado (Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 06h01.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 09h10.
Os analistas do Santander estão otimistas com as ações da JBS, gigante do setor de proteínas, em 2026. A principal aposta do banco está na possível inclusão da companhia nos índices Russell 1000 e 3000, o que poderia impulsionar a liquidez dos papéis no mercado americano.
Na análise do banco, a entrada da JBS nesses índices pode atrair um fluxo estimado de até US$ 960 milhões, considerando aportes de fundos passivos e ativos após a efetivação da inclusão.
Os índices Russell 1000 e Russell 3000 são indicadores amplamente utilizados por investidores institucionais como referência para o desempenho das ações nos Estados Unidos. Ambos são administrados pela FTSE Russell, divisão da London Stock Exchange Group (LSEG).
“A entrada no Russell pode ser um divisor de águas para a liquidez da ação nos Estados Unidos. Acreditamos que o mercado está subestimando o potencial impacto dessa inclusão”, afirmaram os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata em relatório publicado nesta segunda-feira, 19.
O banco manteve a recomendação de compra para os papéis da JBS e destaca que, apesar do cenário desafiador no ciclo pecuário dos Estados Unidos, esse fator já está incorporado aos preços.
A indústria de carne bovina americana atravessa uma fase de contração, com redução do rebanho e queda na oferta de animais em confinamento. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o rebanho bovino está no menor nível em 75 anos. A produção recuou 4% em 2025 e a previsão é de nova queda, superior a 2%, em 2026.
Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu para 27,9 milhões — uma retração de 13% — e o inventário total de bovinos está no nível mais baixo desde 1952. Em 2021, havia 92,6 milhões de cabeças; atualmente, são 86,6 milhões.
O Santander estabeleceu preço-alvo de US$ 17 para as ações da JBS ao final de 2026, o que representa um potencial de valorização de 16% em relação à cotação atual.
Segundo a análise do Santander, somente os passive funds (fundos que replicam os índices) poderiam representar um volume de até US$ 200 milhões — o equivalente a 2 a 3 dias de negociação das ações da empresa. Com os ativos, o impacto pode alcançar 11 a 13 dias de negociação.
Mesmo após revisões negativas nos lucros esperados — consequência do ciclo de baixa da pecuária bovina nos EUA —, o relatório mostra que os múltiplos da JBS seguem atraentes. A companhia negocia a um múltiplo EV/EBITDA estimado para 2026 de 5,6x, enquanto o P/L (preço sobre lucro) projetado está em 3,4x.
“Apesar da pressão nos resultados, a JBS está bem posicionada e com valuation atrativo frente aos pares, como Tyson Foods e Pilgrim’s Pride”, afirma o relatório.
O banco alerta, no entanto, para alguns fatores que podem afetar a tese de investimento, como o prolongamento do ciclo negativo do gado nos EUA e Austrália, problemas sanitários que afetem exportações, alta nos preços de grãos como o milho — usados na ração animal — possíveis questões jurídicas e de governança e valorização do real frente ao dólar.
“Mesmo com esses riscos, acreditamos que o mercado subestima os catalisadores de curto e médio prazo”, diz o Santander.