Corte da picanha: volumes que excederem os limites estabelecidos passarão a pagar tarifas, o que pode impactar as exportações de países fornecedores, como o Brasil. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 14h38.
Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 14h44.
O México anunciou, nesta segunda-feira, 5, cotas de importação para carne bovina e suína, em meio ao avanço do parasita conhecido como bicheira do Novo Mundo (NWS, na sigla em inglês).
Segundo comunicado oficial, os volumes que excederem os limites estabelecidos passarão a pagar tarifas, o que pode impactar as exportações de países fornecedores, como o Brasil.
O governo mexicano, no entanto, não especificou os volumes destinados a cada país. De janeiro a novembro de 2025, as importações mexicanas de carne bovina brasileira cresceram 105%, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Pelas novas regras, o México poderá importar até 70 mil toneladas de carne bovina sem cobrança de tarifas. Acima desse volume, será aplicada uma taxa de 20%.
A Abiec disse que aguarda as orientações do governo mexicano para emitir um comunicado.
No caso da carne suína, a cota de isenção será de 51 mil toneladas, com tarifa de 16% sobre o excedente. A medida é válida até dezembro de 2026.
“A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, afirmou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os produtores de carne suína.
Segundo a entidade, a medida se aplica aos países de fora da América do Norte com os quais o México ainda não mantém acordos de livre comércio.
Decisão semelhante foi anunciada pela China em 31 de dezembro, quando o país asiático impôs cotas à importação de carne bovina.
O anúncio ocorre em um momento delicado para o rebanho bovino do México, que enfrenta um surto da bicheira do Novo Mundo.
Segundo dados oficiais atualizados até 31 de dezembro de 2025, o país registrou 13.106 casos desde novembro de 2024, dos quais 671 permaneciam ativos.
O estado de Chiapas, no sul do país, lidera em número de ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán.
A doença é causada por moscas-varejeiras, cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas nos animais. As larvas se alimentam de tecido vivo e, se não tratadas, podem levar o hospedeiro à morte.
O surto teve origem na América Central e avançou para o norte, afetando as cadeias de produção de carne bovina tanto no México quanto nos Estados Unidos.
Como consequência, os EUA mantêm a fronteira sul praticamente fechada à entrada de gado mexicano desde maio de 2025. O país é um dos principais fornecedores para os EUA.