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Lula cria comitê para monitorar preços e deve lançar programa para baratear produção de alimentos

Presidente tem cobrado os ministros para desenvolver políticas que melhorem sua percepção pública; Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Fazenda participarão do comitê

 (Leandro Fonseca/Exame)

(Leandro Fonseca/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 21 de janeiro de 2025 às 18h50.

Última atualização em 23 de janeiro de 2025 às 11h59.

Enfrentando dificuldades com a opinião pública, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um comitê para monitorar preços de alimentos e planeja um programa para reduzir os custos de alguns produtos. A informação foi confirmada à EXAME pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, nesta terça-feira, 21.

O comitê reúne o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderado por Carlos Fávaro, e o Ministério da Fazenda, de Fernando Haddad. “O comitê foi acionado para garantir preços adequados [dos alimentos]”, afirmou Teixeira, ressaltando que a medida também visa "calibrar as políticas" de governo.

Uma das ferramentas para esse incentivo, segundo Teixeira, será o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

No ano passado, o governo já havia reduzido as taxas de juros para produtores de alimentos como arroz, feijão, mandioca, leite, frutas e verduras, de 4% para 3% ao ano — esse tipo de incentivo busca estimular pequenos agricultores e garantir a oferta de alimentos essenciais a preços mais baixos.

Na segunda-feira, 20, Lula afirmou que uma das prioridades do governo para este ano será baratear os alimentos. "Todos os ministros sabem que o alimento está caro. É uma tarefa nossa garantir que o alimento chegue na mesa do povo trabalhador, da dona da casa e do povo brasileiro em condições compatíveis com o salário que ganha”, disse o presidente.

Em 2024, os preços dos alimentos registraram alta média de 7,69%, superando a inflação oficial do país, que ficou em 4,83%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo de Alimentação e Bebidas contribuiu com 1,63 ponto percentual (p.p.) para o IPCA do ano.

A maior pressão de alta nos preços veio do item carnes. Promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os cortes fecharam 2024 com uma alta de 20,84%, o que representa um impacto de 0,52 ponto percentual (p.p.) na inflação geral. Esse foi o maior aumento desde 2019, quando os preços das carnes subiram 32,4%.

O comportamento dos preços das carnes em 2024 foi marcado por contrastes. No início do ano, houve uma queda nos valores. No entanto, o repique registrado entre setembro e dezembro – com aumento acumulado de 23,88% no período – foi suficiente para que o ano encerrasse com um expressivo aumento geral.

Entre os cortes de carne, os maiores aumentos registrados foram costela, com alta de 21,33%; alcatra, com aumento de 21,13%; contrafilé, com valorização de 20,06%; e carne de porco, com alta de 20,06%. A picanha, carne nobre citada diversas vezes por Lula durante a campanha eleitoral, registrou alta de 8,74% em 2024.

Dólar alto e safra recorde

O ministro destacou que as atenções do governo estão voltadas para o comportamento do dólar e para a safra recorde de grãos projetada para o Brasil na safra 2024/25.

Segundo Teixeira, a alta recente da moeda norte-americana no final de 2024 e no início de 2025 foi motivada pela eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e não por ruídos fiscais internos.

“A tendência agora é o dólar se acomodar”, afirmou o ministro, minimizando preocupações sobre impactos econômicos causados pelo câmbio.

Além do dólar, o governo aposta na safra recorde de grãos para que os preços dos alimentos caiam. De acordo com a Conab, o Brasil deve alcançar uma produção histórica de 322,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25.

O arroz, um dos principais alimentos consumidos no país, deve registrar um incremento de 13,2% na produção, totalizando 11,99 milhões de toneladas.

O feijão, parceiro do arroz na mesa dos brasileiros, deve ter uma produção de 3,4 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% em relação à safra anterior. Se confirmada,  será a segunda maior safra dos últimos 15 anos.

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