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Inpasa faz primeiro embarque de DDGS para a China com 62 mil toneladas

Operação marca o primeiro negócio efetivado após a abertura oficial do mercado chinês ao DDG brasileiro, autorizada por Pequim em 2025

Biorrefinaria da Inpasa em MS: novas oportunidades na exportação de etanol (Leandro Fonseca /Exame)

Biorrefinaria da Inpasa em MS: novas oportunidades na exportação de etanol (Leandro Fonseca /Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h31.

Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 18h03.

O Brasil vai inaugurar uma nova frente de exportação ligada à cadeia do etanol de milho. A Inpasa, maior produtora do biocombustível na América Latina, realizará no domingo, 8, o primeiro embarque de grãos secos de destilaria (DDGs) com destino à China. O carregamento inicial, de 62 mil toneladas, será despachado pelo porto de Imbituba (SC).

Utilizado principalmente na nutrição animal, o DDGs é um coproduto da produção de etanol. No processo industrial, o amido do milho é convertido em combustível, e as partes restantes originam o distiller’s dried grains with solubles (DDG) — ingrediente de alto valor nutricional utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

A operação marca o primeiro negócio efetivado após a abertura oficial do mercado chinês ao DDG brasileiro, autorizada pelo país asiático em meados de 2025. Em janeiro deste ano, a Inpasa se tornou a primeira empresa brasileira habilitada a exportar o produto para o país asiático, diz a companhia.

Com o avanço das negociações, a companhia já tem cerca de 250 mil toneladas negociadas com a China, que poderá importar até 1,5 milhão de toneladas de DDG da Inpasa ainda em 2026, segundo estimativas da própria empresa.

Além da China, a Inpasa já exporta regularmente para Nova Zelândia, Espanha, Turquia e Vietnã, e de forma esporádica para Arábia Saudita, Indonésia e Tailândia. Os embarques também representam, segundo a empresa, uma validação da qualidade brasileira no mercado internacional.

“A China é um gigante. Quando entra, entra para ser o maior. Ela tende a assumir o maior marketshare das exportações. Este ano, já deve responder por metade das nossas vendas externas de DDGS”, afirma Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa.

Segundo ele, a habilitação pelas autoridades chinesas funciona como um selo de confiança para outros mercados. “A China não apenas valida, como puxa a demanda. Outros países passam a enxergar isso como um sinal de credibilidade”, diz.

Para a temporada 2025/2026, a expectativa é de que a produção nacional de DDGS atinja 4,8 milhões de toneladas, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM). A Inpasa projeta uma capacidade produtiva de 3,3 milhões de toneladas, destinadas ao mercado interno e à exportação para 12 países.

“Esse produto tem escala, qualidade e uma aceitação surpreendentemente rápida nos novos mercados. O cliente testa, gosta e volta. E a China já demonstrou apetite como se comprasse há anos”, diz Zicardi.

Além da expansão comercial, a Inpasa deve inaugurar ainda este ano seu primeiro laboratório próprio para análise de DDGS. A estrutura será voltada a atender as exigências de qualidade dos mercados importadores, especialmente o europeu.

“Todos os nossos embarques, desde a saída das usinas, passam por um rigoroso monitoramento de qualidade. Hoje, somos a única empresa que realiza controle completo em 100% dos caminhões, independentemente do destino”, afirma Gustavo Mariano, vice-presidente de Trading da companhia.

DDG na China

A China, que até então importava 99,6% de seus DDG/DDGS dos Estados Unidos, movimentou US$ 65 milhões em importações do produto em 2024.

Com a entrada do Brasil como novo fornecedor autorizado, o país asiático passa a contar com uma alternativa estratégica para abastecer sua demanda interna por ração animal — especialmente para a suinocultura.

Maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, a China mantém uma estrutura agroalimentar fortemente dependente de ingredientes como milho e farelo de soja — a inclusão do DDG na formulação da ração é vista como um reforço importante para a segurança alimentar do país.

Para Luiz Rua, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o DDG ocupa uma posição central dentro da lógica da bioeconomia.

“O DDG é um coproduto do milho e faz parte da lógica da economia circular — ou seja, agrega valor a um subproduto e fortalece a sustentabilidade da cadeia”, afirma.

Segundo ele, a recente habilitação de 10 usinas brasileiras para exportar DDG à China — as primeiras após a autorização oficial — marca uma virada estratégica para o etanol de milho no Brasil. “Estamos diante de uma transformação importante”, afirma.

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