Guerra na Ucrânia eleva demanda e preços de exportação de frango

A Ucrânia é o sexto maior exportador de frango e, à medida que a invasão russa interrompe os embarques do país, os compradores estão se voltando para o mercado brasileiro como alternativa
 (Joern Pollex/Getty Images)
(Joern Pollex/Getty Images)
Por BloombergPublicado em 08/03/2022 18:35 | Última atualização em 08/03/2022 18:40Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Por Tatiana Freitas, da Bloomberg

Os preços do frango do Brasil, o maior exportador mundial, estão subindo no mercado externo e isso se deve à guerra na Ucrânia.

A Ucrânia é o sexto maior exportador de frango e, à medida que a invasão russa interrompe os embarques do país, os compradores estão se voltando para o mercado brasileiro como alternativa.

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A demanda no exterior por frango brasileiro está aumentando devido à guerra e, como resultado, os preços de alguns cortes subiram pelo menos 10% desde a semana passada, disse Luis Rua, diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

“São novos patamares de preços”, disse ele.

O frango é o exemplo mais recente de como a invasão russa da Ucrânia abala os fluxos comerciais de produtos agropecuários, metais e energia. Os dois países são importantes fornecedores de uma ampla gama de commodities, de trigo a níquel e petróleo, e grande parte do comércio do Mar Negro está paralisado. Os preços mais caros do frango brasileiro também dão uma nova contribuição à inflação global de alimentos.

A Ucrânia compete com o Brasil na venda de peito de frango para a União Europeia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, disse Rua. A nação invadida exportou cerca de 450 mil toneladas da carne no ano passado, sendo que aproximadamente metade foi embarcada para esses destinos. O Brasil é “o fornecedor óbvio” para substituir a Ucrânia nesses mercados, disse Rua.

O aumento nos preços gerado pela demanda adicional ajudará os exportadores brasileiros de frango a compensar alguns, mas não todos, os custos extras da disparada dos preços das rações. Esses serão inevitavelmente repassados aos consumidores para que as empresas continuem produzindo, disse Rua.