Redação Exame
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 11h54.
A França vai suspender nos próximos dias a importação de frutas como abacates, mangas, guabirobas, cítricos, uvas e maçãs provenientes da América do Sul e de outras regiões quando for detectada a presença de substâncias proibidas na União Europeia.
O anúncio foi feito neste domingo, 4, pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
Segundo ele, uma portaria será publicada por iniciativa da ministra da Agricultura, Annie Genevard, para barrar a entrada de alimentos que contenham resíduos de substâncias como mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, proibidas no bloco europeu.
“Não será mais permitida a entrada no território nacional desses produtos quando contiverem esses resíduos”, afirmou Lecornu em comunicado nas redes sociais. Para garantir o cumprimento da nova regra, a França vai mobilizar uma brigada especializada em fiscalização sanitária para intensificar os controles de entrada.
A medida é descrita pelo governo como “um primeiro passo para proteger nossas cadeias de abastecimento, os consumidores e combater a concorrência desleal”, segundo Lecornu, que também classificou a decisão como uma questão de justiça para os produtores rurais franceses.
A portaria tem caráter cautelar e mira diretamente uma das principais críticas feitas por sindicatos agrícolas franceses ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A assinatura do tratado foi adiada para 12 de janeiro, de acordo com a ministra Genevard, em entrevista ao jornal La Tribune Dimanche.
A ministra da Agricultura também renovou seu apelo para a redução das tensões com o setor agrícola, às vésperas de um novo encontro entre sindicatos rurais e o primeiro-ministro. As mobilizações ganham força novamente diante da crise causada pela dermatose nodular bovina e da insatisfação com o avanço do acordo com o Mercosul.
O setor também se opõe à reforma da Política Agrícola Comum (PAC), ao Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) e ao Mecanismo de Acesso a Mercados e Financiamento (MACF) da União Europeia.
Genevard afirmou que “é necessário distensionar a situação, encerrar os bloqueios, e isso é responsabilidade dos sindicatos”. Ela também defendeu a aplicação de sanções contra os atos violentos e de vandalismo cometidos por minorias nas manifestações.
Questionada sobre o MACF — em vigor desde 1º de janeiro e que impõe penalidades a produtores de grãos que utilizam fertilizantes importados —, a ministra disse ter adotado medidas para cortar pela metade o impacto financeiro. Ainda assim, “o custo segue em 4 mil euros por ano por propriedade rural”, destacou, reafirmando o objetivo de zerar o impacto.
Segundo Genevard, Lecornu enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando o adiamento ou suspensão do mecanismo. O governo francês também busca apoio de outros países do bloco para pressionar por mudanças na política.
O principal sindicato agrícola da França, a FNSEA, estima que o impacto do novo mecanismo para o setor de grãos pode ultrapassar os 500 milhões de euros.
Com informações da Agência EFE.