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Com tarifaço, EUA perde liderança na importação de café brasileiro em 2025

País comprou 5,4 milhões de sacas — o equivalente a 13,4% do total exportado pelo Brasil

Exportação de café: norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas, ou 13,4% do total, com queda de 40% na comparação anual. (Gerado por IA/Freepik)

Exportação de café: norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas, ou 13,4% do total, com queda de 40% na comparação anual. (Gerado por IA/Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 17h49.

Os Estados Unidos perderam o posto de principal destino do café brasileiro em 2025. No ano passado, o país comprou 5,4 milhões de sacas — o equivalente a 13,4% do total exportado —, uma queda de 34% em relação aos 12 meses de 2024. Com o resultado, os EUA caíram para a segunda posição no ranking de importadores.

A redução nos embarques coincide com a aplicação de tarifas sobre o produto brasileiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 2025. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) nesta segunda-feira, 19.

"Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%. Além disso, como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio nas exportações desse produto para os Estados Unidos continua se acentuando”, disse Márcio Ferreira, presidente da entidade.

Exportação de café em 2025

As exportações de café do Brasil caíram 21% em 2025 na comparação com o ano anterior, somando 40,049 milhões de sacas de 60 kg. Apesar da retração no volume, a receita cresceu 24%, atingindo US$ 15,586 bilhões — o maior valor anual já registrado, segundo o Cecafé.

“Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, afirmou Ferreira, presidente do Cecafé.

Nos cálculos da entidade, a defasagem na infraestrutura portuária agravou os desafios enfrentados em 2025 e gerou prejuízo de R$ 61,5 milhões.

A Alemanha assumiu a liderança entre os principais destinos do café brasileiro, com a importação de 5,409 milhões de sacas — o equivalente a 13,5% dos embarques totais. O volume, no entanto, representa queda de 28,8% em relação a 2024.

Os Estados Unidos, tradicionalmente na primeira posição, caíram para o segundo lugar. Os norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas, ou 13,4% do total, com queda de 33,9% na comparação anual.

Completam o ranking dos cinco maiores compradores a Itália, com 3,149 milhões de sacas e recuo de 19,6%; o Japão, com 2,647 milhões e alta de 19,4%; e a Bélgica, com 2,321 milhões de sacas e queda de 47%.

Reflexo da menor disponibilidade de café, após as exportações recordes de 2024 e da safra impactada pelo clima no ano seguinte, a maioria dos principais importadores reduziu suas compras no ano passado.

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