Mercado internacional reage a riscos logísticos e preocupação com oferta da commodity. (Freepik)
Redação Exame
Publicado em 8 de março de 2026 às 15h21.
O mercado internacional do café encerrou na sexta-feira, 6, em alta nas principais bolsas, impulsionado por preocupações com a oferta global, queda nas exportações brasileiras e riscos logísticos no comércio mundial da commodity. O cenário elevou a percepção de restrição de oferta no curto prazo e sustentou os preços tanto do arábica quanto do robusta.
Na Intercontinental Exchange (ICE Futures US), em Nova York, os contratos do café arábica fecharam o dia com valorização entre os principais vencimentos.
O contrato março/2026 encerrou cotado a 297,60 cents por libra-peso, com alta de 212 pontos. O vencimento maio/2026 fechou a 293,30 cents por libra-peso, avanço de 450 pontos, enquanto o julho/2026 terminou o pregão a 288,45 cents por libra-peso, também com ganho de 450 pontos.
O café robusta, negociado na ICE Futures Europe, em Londres, também registrou aumento no preço.
O contrato março/2026 fechou a US$ 3.827 por tonelada, com alta de 21 pontos. Já o maio/2026 terminou cotado a US$ 3.772 por tonelada, também com avanço de 21 pontos, enquanto o julho/2026 encerrou a sessão a US$ 3.679 por tonelada, com ganho de 16 pontos.
Entre os fatores que sustentaram as cotações do café estão os temores de interrupções no fluxo global de mercadorias. Tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram os custos do transporte marítimo e aumentaram as incertezas logísticas no comércio internacional.
O mercado acompanha especialmente impactos no tráfego pelo Estreito de Hormuz, na região do Irã, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias. Qualquer instabilidade na região tende a elevar custos de frete, combustível e seguros, pressionando o preço de commodities agrícolas, como o café.
Outro fator de suporte às cotações do café foi a redução nos embarques brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que as exportações de café do Brasil em fevereiro caíram 17,4% na comparação anual.
A retração reforça a percepção de oferta mais restrita no curto prazo no mercado internacional.
Apesar do suporte recente aos preços, o mercado segue atento às perspectivas de produção. Projeções indicam que a safra brasileira de café em 2026 pode crescer de forma significativa.
Estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta produção de 66,2 milhões de sacas, avanço de cerca de 17,2% em relação ao ciclo anterior, com aumento tanto no arábica quanto no robusta.
No cenário global, instituições financeiras projetam que a produção mundial de café pode alcançar aproximadamente 180 milhões de sacas na temporada 2026/27, ampliando a oferta no médio prazo.