Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores do grão no país (Alexis Prappas/Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16h42.
O Brasil deve renovar o recorde de exportação de soja em 2026, com embarques estimados em 114 milhões de toneladas, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgada nesta segunda-feira, 12, no relatório mensal de oferta e demanda.
A estimativa anterior, feita em dezembro, apontava para 112 milhões de toneladas — ou seja, uma elevação de 2 milhões de toneladas, mesmo diante do recente acordo comercial entre Estados Unidos e China.
Em novembro de 2025, como parte dos esforços para reverter a guerra tarifária entre os dois países, Pequim se comprometeu a ampliar a compra de soja americana.
Apesar do acerto, a China manteve, no ano passado, a preferência pelo produto brasileiro. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil encerrou 2025 com exportações recordes de soja, totalizando 108 milhões de toneladas — alta de 11,7% em relação às 97 milhões de toneladas de 2024.
O país asiático permaneceu como o principal destino, respondendo por 87,1 milhões de toneladas — o equivalente a 80% de todo o volume exportado. Para este ano, a Anec estima que os embarques de soja brasileira para a China devem ficar em torno de 77 milhões de toneladas.
Na sexta-feira, 9, a agência Reuters informou que a estatal chinesa Sinograin comprou pelo menos 10 carregamentos de soja dos Estados Unidos, totalizando cerca de 600 mil toneladas, com embarques previstos para abril e maio.
As vendas aproximam a China do cumprimento do compromisso de comprar 12 milhões de toneladas da safra mais recente dos EUA até o fim de fevereiro.
O USDA manteve o tom de otimismo em relação à produção de soja no Brasil na safra 2025/26. O órgão elevou sua estimativa de 175 para 178 milhões de toneladas, volume superior às 171,5 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25.
A projeção está levemente acima das estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em dezembro, reduziu sua previsão para a safra 2025/26, de 177,8 milhões para 177,1 milhões de toneladas.
Segundo a consultoria AgRural, a colheita da safra 2025/26 de soja chegou, na quinta-feira, 8, a 0,6% da área cultivada no Brasil, contra 0,3% no mesmo período do ano passado. O avanço é puxado principalmente por Mato Grosso, um dos principais estados produtores do grão, mas o Paraná também já iniciou os trabalhos de colheita.
A consultoria afirma que, em termos históricos, não há atraso relevante até o momento, embora o alongamento do ciclo das plantas em algumas regiões esteja tornando o início da colheita um pouco mais lento do que o inicialmente esperado.