Colheita da soja em Mato Grosso: estado é um dos principais produtores do grão no país (Alexis Prappas/Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 06h01.
Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 06h33.
O avanço da colheita da soja e o início do plantio do milho de segunda safra em Mato Grosso trazem um alívio momentâneo para empresas de logística como Rumo e Hidrovias do Brasil, que dependem da movimentação de grãos para sustentar seus volumes operacionais e margens.
Segundo relatório do Santander, divulgado nesta segunda-feira, 2, o ritmo atual das lavouras tende a manter as operações dessas companhias dentro do planejado — embora ainda haja pontos de atenção.
Até agora, 25% da área de soja estimada já foi colhida no estado, avanço de 11,1 pontos percentuais em uma semana. O desempenho supera a média dos últimos cinco anos (12,6%) e também o resultado do mesmo período de 2023 (12,2%), mostram dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O ritmo acelerado da colheita da soja favorece a transição para o milho de segunda safra, reduzindo o risco de plantio fora da janela ideal — o que poderia impactar a produtividade e, por consequência, os volumes transportados.
Por outro lado, o plantio do milho continua atrasado em relação à média histórica. Até o momento, 15,6% da área foi semeada, contra 20,3% da média dos últimos cinco anos. Ainda assim, é um avanço relevante sobre os 6,3% registrados no mesmo período da última safra.
“No geral, vemos os dados como neutros para Rumo e Hidrovias do Brasil. O desempenho da soja pode ajudar a manter o cronograma logístico, mas o milho ainda exige cautela”, afirmam os analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani.
O banco mantém recomendação de compra para ambas as empresas. No caso da Rumo (RAIL3), que opera a malha ferroviária com acesso aos portos de Santos e Paranaguá, o preço-alvo é de R$ 22,00 até o fim de 2026, ante os R$ 14,88 atuais.
Já a Hidrovias do Brasil (HBSA3), com forte presença no Arco Norte e exportações via portos como Itaqui, tem preço-alvo de R$ 6,10, frente aos R$ 3,98 atuais.
Segundo os analistas, embora a colheita antecipada da soja tenda a liberar a infraestrutura logística mais cedo, o milho — principal driver de volumes — ainda depende de uma aceleração mais forte do plantio para alterar projeções operacionais ou financeiras.
As previsões climáticas também seguem no radar. Após duas semanas de chuvas abaixo da média, os modelos da Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) indicam normalização nos volumes de chuva nas próximas semanas. Por ora, os níveis de umidade do solo seguem adequados para o desenvolvimento das lavouras.
Mato Grosso deverá voltar a colher uma safra de soja de 50,5 milhões de toneladas em 2025/26, segundo projeção atualizada do Imea. A produtividade média esperada foi reajustada para 64,73 sacas por hectare — uma alta de 7,06% em relação à estimativa anterior.
Para as próximas semanas, o cenário permanece majoritariamente favorável no estado, com expectativa de bom ritmo na colheita.
As previsões meteorológicas indicam volumes de chuva abaixo da média, o que reduz o risco de perdas operacionais no campo, segundo o Imea. Ainda assim, o instituto ressalta que eventuais revisões negativas podem ocorrer caso o padrão climático mude de forma significativa.
Já para o milho segunda safra, atualmente em fase de plantio, a área estimada foi mantida em 7,39 milhões de hectares — um crescimento de 1,83% em relação à temporada anterior.
O aumento está relacionado, principalmente, à ampliação da capacidade produtiva das usinas de etanol no estado, que têm impulsionado a demanda pelo cereal.
A produção de milho para a safra 2025/26 foi estimada em 51,72 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 6,70% frente ao ciclo anterior.