Paris - Cientistas forenses anunciaram nesta quinta-feira ter descoberto o ovo mais antigo do parasita causador da esquistossomose, revelando como o progresso humano possibilitou que um minúsculo verme encontrado na água doce se transformasse em uma maldição para milhões de pessoas.
Em carta publicada na revista The Lancet Infectious Diseases, uma equipe de arqueólogos e biólogos anunciou ter descoberto um ovo com 6.200 anos do temido parasita intestinal em uma antiga cova no norte da Síria.
O local, denominado Tell Zeidan, fica no vale do Eufrates, parte do famoso "Crescente Fértil", onde os humanos se assentaram para introduzir cultivos agrícolas quase 8.000 anos atrás, fazendo o histórico salto de caçadores-coletores para agricultores.
A equipe escavou restos de esqueletos de 26 pessoas de sepulturas e cuidadosamente peneirou os sedimentos coletados da região pélvica de cada uma.
O trabalho meticuloso resultou na descoberta de um ovo com apenas 132 milionésimo de metro de comprimento.
O ovo, afirmaram os cientistas, é de uma das duas espécies de esquistossomos: vermes planos que causam a esquistossomose, uma doença que afeta centenas de milhões de pessoas em regiões tropicais de Ásia, África e América Latina.
Os esquistossomos se refugiam na pele das pessoas que entram em cursos d'água doce e viram vermes adultos antes de invadir rins, bexiga e intestinos.
Desenvolvendo-se no fluxo do sangue, eles acasalam e seus ovos são excretados na urina e nas fezes, expondo mais pessoas à doença.
A infecção - normalmente percebida pela presença de sangue na urina - pode resultar em falência dos rins, câncer de bexiga, desnutrição e anemia.
Análises recentes de DNA dos esquistossomos sugeriam que os vermes tinham evoluído na Ásia e se espalhado dali para a África e o mundo.
Mas como isto aconteceu permanecia um mistério até agora.
A migração através do assentamento remoto de pessoas no Oriente Médio, através de sistemas de irrigação do Crescente Vermelho, é uma possível resposta, segundo a carta.
As pessoas em Tell Zeidan plantavam trigo e cevada em condições de muita aridez, o que sugere que desenvolveram um sistema de irrigação para molhar seus cultivos, destacou.
Se foi assim, os canais de irrigação podem ter sido a fonte de infecção provável para o indivíduo que carregava o parasita, segundo a investigação chefiada por Piers Mitchell, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.
"Nossas descobertas sugerem que a irrigação de cultivos, 6.000 anos atrás, no Oriente Médio, permitiu que a esquistossomose se espalhasse para as pessoas que viviam ali e, portanto, foi o gatilho para o enorme peso que a doença tem causado nos últimos 6.000 anos", diz a carta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 42 milhões de pessoas foram tratadas de esquistossomose em 2012, e 249 milhões receberam tratamento preventivo com praziquantel, medicamento na linha de frente para controlar o parasita.
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1. Surto de bactéria assusta europeus
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1/5 (Patrick Lux/AFP)
São Paulo - Poucas coisas são capazes de provocar pânico coletivo com tanta eficiência quanto um surto de doença infecciosa grave, principalmente se o grau de contágio for alto. Na última década, o mundo experimentou doses variadas de preocupação com doenças como a gripe suína e a aviária, e o pânico diante de uma possível epidemia. Atualmente uma das maiores dores de cabeça da Organização Mundial de Saúde (OMS) tem sido um surto da bactéria Escherichia coli (E.coli). A infecção, que causa disenteria severa e hemorragias no trato gastrointestinal, já atingiu mais de duas mil pessoas em 12 países, causando 15 mortes. A OMS classificou o surto como “muito grave”. Pesquisadores europeus correm para encontrar a causa das infecções. Entre as especulações estão brotos de feijão, mas hipóteses como pepinos e outras hortaliças foram levantadas. Até agora, nada foi comprovado. Embora não haja risco de um contágio generalizado, o surgimento de mais e mais novos casos preocupa a população europeia da mesma forma como em outros célebres casos de doenças. Da epidemia de Ebola, nos anos 1970, à gripe aviária, relembre quais foram os últimos grandes casos de doenças que ameaçaram países, continentes inteiros, e o mundo todo.
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2. Ebola - a epidemia que virou até filme
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São Paulo - O vírus ebola foi descoberto nos anos 1970, por uma equipe de pesquisadores belgas. Ao infectar humanos, ele provoca febre hemorrágica e torna deficiente a coagulação do sangue. O conjunto de sintomas compromete os os órgãos vitais em poucos dias. Os principais surtos da doença ocorreram ao longo dos anos 1970, no meio da década de 1990, e entre 2000 e 2001, sempre na África. Não houve casos de infectados fora do continente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1800 pessoas foram contaminadas, e cerca de 1200 morreram. A maior parte dos casos foi registrada no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, mas também houve casos no Gabão e em Uganda. Embora não haja casos de Ebola fora do continente, a violência da doença e o elevado grau de mortalidade mexeram com o imaginário das pessoas no mundo todo. Escritores lançaram diversas obras de ficção que com histórias sobre possíveis pandemias do vírus. Um exemplo é o livro Vírus, do escritor americano Robin Cook. A doença também foi citada no cinema, com o filme Epidemia (Outbreak), de 1995, embora o vírus da ficção tivesse um nome diferente.
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3. SARS assombrou leste asiático
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3/5 (Getty Images)
São Paulo - Uma epidemia de síndrome respiratória aguda grave (SARS, na sigla em inglês) assombrou o leste e o sudeste da Ásia em 2003. Entre novembro de 2002, quando os primeiros casos foram registrados na China, e setembro de 2003, a doença afetou mais de 8,4 mil pessoas, causando mais de 900 mortes. Segundo a médica infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Nancy Bellei, a doença foi causada por um vírus conhecido como coronavírus, originalmente parasita do morcego. Os sintomas dos infectados são os mesmos de uma pneumonia, mas mais intensos. Apesar de a SARS ter se manifestado mais intensamente na Ásia, alguns casos foram registrados também no Canadá, o que aumentou o temor de uma pandemia. De acordo com Nancy, boa parte do medo tem a ver com a rapidez de transmissão da doença entre os humanos, principalmente em ambientes fechados. A Organização Mundial de Saúde temia que o vírus se espalhasse com o grande número de turistas que circulavam pela China. Na foto ao lado, um único turista ocidental aparece em um voo comercial com destino a Pequim, em 2003.
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4. Gripe aviária - ameaça não concretizada
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4/5 (Getty Images)
São Paulo - Em 2003, foram identificados os primeiros surtos de uma doença que ficou conhecida como gripe aviária. A doença começou a se espalhar, principalmente pelo sudeste asiático, dois anos depois, e chegou a atingir a Europa e a América do Norte. Causada pelo vírus influenza, do tipo H5N1, a gripe aviária gera os mesmos sintomas de uma comum, mas mais intensos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 2005 e 2011, foram registrados 555 casos da gripe no mundo, com 324 mortes. A doença foi detectada sempre em pessoas que tinham contato mais próximo com aves. Embora humanos tenham sido contaminados, os pesquisadores não encontraram evidências de que o vírus seja transmitido de uma pessoa para outra, apenas de aves para humanos. Segundo a infectologista Nancy Bellei, da Unifesp, a gripe aviária é uma “ameaça que não se concretizou. O grande risco é que o vírus sofra uma mutação e comece a ser altamente transmissível entre humanos. Até hoje novos casos da gripe continuam aparecendo, mas ela ainda não se espalhou”, afirma.
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5. A pandemia da gripe suína
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5/5 (Getty Images)
São Paulo - A lembrança mais recente que se tem de uma doença que causou pânico no mundo é a da temida gripe suína. Causada pelo vírus influenza H1N1, a doença teve seus primeiros casos registrados em 2009. Esta foi uma autêntica pandemia, ou seja, houve casos simultâneos de pessoas infectadas nos cinco continentes. Nancy Bellei, infectologista da Unifesp, explica que o H1N1 representou uma ameaça porque circulou com uma velocidade elevada, como outros vírus do tipo influenza. Apesar de não ser extremamente letal, a gripe suína fez centenas de vítimas, principalmente entre os mais idosos. Ainda há casos isolados da doença, mas a Organização Mundial de Saúde classifica o atual período como “pós-pandêmico”.