FBI investiga roubo de dados de usuários de iPad

Falha permitiu a grupo obter endereços de e-mail de 114 mil pessoas, entre militares de alto escalão, políticos e profissionais de mídia

São Paulo - O FBI, órgão de polícia federal norte-americano, está investigando a suposta brecha no site da operadora AT&T que teria exposto dados como e-mails de mais de 114 mil usuários de iPad 3G. A falha foi revelada na quarta-feira (9) pelo site Gawker.com, e depois confirmada pela AT&T, que disse que o problema já foi corrigido.

"O FBI está ciente dessas possíveis invasões em computadores e decidiu investigar", afirmou Katherine Schweit, uma porta-voz do órgão, ao Wall Street Journal. Ela acrescentou que a investigação começou na quinta-feira (10), mas não deu mais detalhes sobre o que está sendo apurado.

Embora o grupo de hackers tenha acessado apenas dados de e-mail e os números de serial dos SIM Card dos usuários de iPad - que não são consideradas informações delicadas -, especialistas da área de segurança lembram que, de posse de endereços eletrônicos é possível fazer ameaças de phishing, bem direcionadas, a autoridades, por exemplo. A equipe de hackers, que se intitula Goatse Security, obteve endereços de e-mail de oficiais militares de alto escalão, políticos da Casa Branca, figuras importantes da mídia e pessoas ligadas à tecnologia.

A AT&T tem direitos exclusivos para operar nos aparelhos iPad e iPhone, da Apple, nos Estados Unidos. Procurada pela reportagem do WSJ, a AT&T não quis comentar a investigação do FBI, mas disse que está "em contato direto com a Apple" para tratar do incidente. A operadora informou que está em processo de apuração de quantos endereços de e-mail foram descobertos para alertar os consumidores que estão na lista. A Apple não comentou o assunto.

Em meio a tensão que se formou para o lado das duas empresas, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um dos que teve o e-mail revelado, minimizou a situação. "Não deve ser muito difícil descobrir meu e-mail", disse. "Para mim, não foi grande coisa".

Ainda conforme o WSJ, o grupo que descobriu a falha entrou em contato com diversos meios de comunicação antes de revelar o feito ao Gawker. Escher Auernheimer, um membro da equipe, disse que não ouviu falar em nenhum tipo de lei que se aplique ao caso e considera que não fez nada de ilegal. Ele disse ainda que esperou até que a AT&T corrigisse a falha para divulgar o problema de segurança dos dados.
 

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