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A vida dura da Huawei para sobreviver sem o mercado americano

Em mensagem de final de ano aos funcionários, o CEO da fabricante dá o tom de "o pior já passou", mas destaca incertezas no ambiente macro

 (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

(SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

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André Lopes

13 de janeiro de 2023, 11h01

Os funcionários da Huawei que abriram a caixa de e-mail no final de ano encontraram uma mensagem otimista do CEO Eric Xu: ''Os negócios vão bem", escreveu o presidente no memorando.

Enfim positivo, o recado do líder acompanha a previsão da empresa chinesa de fechar o ano fiscal de 2022 com três trimestres sucessivos de crescimento e uma receita total estável para 2023. As vendas gerais devem chegar a US$ 91,8 bilhões ao fim do período, marcando um singelo aumento de 0,02%.

“Em 2022, saímos com sucesso do modo de crise. As restrições dos EUA agora são nosso novo normal”, escreveu Xu.

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O cenário favorável no horizonte, no entanto, só foi possível depois de quatro anos na berlinda dos negócios globais causado pelas restrições comerciais sancionadas pelo ex-presidente Donald Trump, quando fortificou a guerra comercial com a China, em 2019.

Junto disso, acusação de ser um risco para segurança digital dos EUA com seus dispositivos, principalmente os de infraestrutura de 5G, afastou concorrentes e parceiros. 

Para contornar as medidas, a Huawei, que em certo ponto ficou sem componentes avançados devido a falta de fornecedores, lançou modelos de smartphones atualizados usando chips dos estoques e outros licenciados.

Também expandiu o negócio de consumo para dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e fones de ouvido, que exigem semicondutores menos complexos do que os smartphones. Assim, o pivô wearables tornou mais fácil para a Huawei adquirir peças no mercado interno e seguir vendendo para o consumidor final.

''Males que vem para o bem''

O período sem acesso ao mercado americano também ajudou a Huawei com o partido comunista. A empresa se voltou aos fornecedores internos e colaborou com governos locais. Hoje figura como uma das mais importantes companhias para Pequim se tornar tecnologicamente autossuficiente.

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De volta ao memorando do CEO, Xu também destacou a receita obtida com a expansão dos serviços em nuvem e seus negócios em rede 5G, que também compensaram a queda nas vendas de dispositivos.

Outra fonte lucrativa para a Huawei é cobrar royalties, especialmente em serviços relacionados a rede de última geração, ofertados para algumas das maiores marcas do mundo, incluindo Apple e Samsung.

A empresa também assinou mais de 20 licenças de patente no ano passado, abrangendo smartphones e redes.

Xu admitiu que os negócios ainda serão difíceis em 2023, dizendo que “o ambiente macro pode estar repleto de incertezas” e a empresa “enfrenta a volatilidade externa”.

“Precisamos ser proativos para melhorar o ambiente de negócios e gerenciar os riscos de maneira mais eficaz. Essa é a única maneira de atingirmos nossas metas de negócios para 2023 e estabelecer uma base sólida para a sobrevivência e o desenvolvimento contínuos da Huawei”, finalizou o CEO.