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O que o CEO do Google pensa sobre o ChatGPT, a IA que responde perguntas, programa e escreve músicas

Seria a nova tecnologia da OpenAI uma rival para o tradicional buscador da internet? O presidente do Google Sundar Pichai levou a questão para uma reunião entre executivos

Sundar Pichai, CEO do Google: o futuro do buscador pode estar nas IAs de linguagem natural (Anna Moneymaker/Getty Images)

Sundar Pichai, CEO do Google: o futuro do buscador pode estar nas IAs de linguagem natural (Anna Moneymaker/Getty Images)

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André Lopes

16 de dezembro de 2022, 07h09

Com o surgimento do ChatGPT, a inteligência artificial (IA) da empresa OpenAI capaz de responder perguntas sobre qualquer assunto, criar textos, músicas e roteiros, não demorou para que algumas pessoas se perguntassem se IAs desse tipo não poderiam ameaçar o futuro do Google.

Contudo, os executivos do buscador não parecem preocupados com a novidade. Segundo uma reportagem da CNBC, o Google acha que o ChatGPT ainda é uma tecnologia imatura e que não deve ser apresentada aos usuários como uma solução de pesquisa.

Outro motivo, defendem os executivos, é a propensão ao erro e o fato de que a IA tende a inventar informações quando não possui uma resposta precisa. 

Ainda de acordo com a CNBC, o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, e o chefe de IA do Google, Jeff Dean, abordaram a ascensão do ChatGPT em uma reunião recente entre executivos da empresa. Em dado momento, um funcionário perguntou se o lançamento do bot, desenvolvido pela OpenAI, uma empresa com laços profundos com a rival do Google, a Microsoft, representava uma “oportunidade perdida” para o gigante das buscas.

Pichai e Dean responderam dizendo que os modelos de linguagem IA  do Google são tão capazes quanto os da OpenAI, mas que a empresa precisou ''adotar uma posição mais conservadora do que uma pequena startup” justamente pelo risco representado pela tecnologia.

E de fato o Google desenvolveu uma série de inteligências artificiais com capacidade de emular a linguem natural humana, com bastante similaridade com o ChatGPT. Entre as experiências estão as IA BERT, MUM e LaMDA, todas usadas ​​para melhorar o mecanismo de busca do Google.

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Essas melhorias são sutis, no entanto, e se concentram na análise das consultas dos usuários para entender melhor sua intenção. Por exemplo, o Google diz que a MUM ajuda a entender quando uma pesquisa parte de um usuário está passando por uma crise pessoal ou tentando suicídio, por exemplo, e direciona esses indivíduos para centrais de atendimento e páginas com informações sobre saúde mental.

A OpenAI também teve seu momento de reticencia com o desenvolvimento de sua tecnologia, mas mudou de rumo com o lançamento do ChatGPT, abrindo o acesso ao público. O resultado tem sido positivo e a publicidade entorno da OpenAI está criando expectativas sobre quais outros produtos a empresa pode lançar, mesmo com a empresa arcando com enormes custos mantendo o sistema de uso gratuito.

O problema das IAs

Embora o lançamento do ChatGPT tenha desencadeado novas conversas sobre o potencial dos chatbots para substituir os buscadores tradicionais, o debate já existe entre as equipes do Google há muitos anos. Em muitas das vezes, causando polêmica na empresa.

Os pesquisadores de IA Timnit Gebru e Margaret Mitchell foram demitidos do Google depois de publicar um artigo descrevendo os desafios técnicos e éticos associados à linguagem natural.

E, em maio do ano passado, um quarteto de pesquisadores do Google explorou a mesma questão da IA ​​para responder perguntas, e detalhou vários problemas que indicam que as IAs ainda não compreende a complexidade do mundo, podem se tornar tóxicas, criando ficções enquanto tentam atender os pedidos dos usuários.

Existem maneiras de mitigar esses problemas, é claro, e as empresas de tecnologia rivais sem dúvida vão calcular se o lançamento de um mecanismo de busca com inteligência artificial – mesmo com os problemas elencados – vale a pena se a meta for roubar uma fatia de um mercado no qual o Google domina há anos. Afinal, se você é novo área, não há uma reputação a se zelar.

De toda forma, mesmo a OpenAI parece estar tentando diminuir o entusiasmo com a tecnologia. Na palavras do CEO da empresa Sam Altman: “O ChatGPT é incrivelmente limitado, mas bom o suficiente em algumas coisas para criar uma impressão falsa de grandeza. É um erro confiar nele para qualquer coisa importante agora. É uma prévia do progresso; temos muito trabalho a fazer em termos de robustez e veracidade”.