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É um jogo que vai ficar cada vez mais difícil”, diz BCG sobre avanço da IA no agro

Estudo exclusivo do BCG mostra que a inteligência artificial deve ameaçar vantagens competitivas e espremer — ainda mais — as margens de lucro no agro

Drones agrícolas: tecnologia que aumenta a produtividade e reduz  o impacto ambiental no campo (Agridrones/Divulgação)

Drones agrícolas: tecnologia que aumenta a produtividade e reduz o impacto ambiental no campo (Agridrones/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 06h00.

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Imagine a situação: uma produtora rural brasileira desconfiou do preço de uma vacina bovina. Antes de comprar, consultou uma ferramenta de inteligência artificial e descobriu que o valor cobrado era o dobro da referência de mercado.

O episódio ajuda a explicar uma mudança que deve mexer com as margens de lucro do agronegócio nos próximos anos, como aponta um estudo exclusivo do Boston Consulting Group (BCG). Segundo a pesquisa, a IA deve alterar o equilíbrio de poder na cadeia agrícola.

Revendas, cooperativas e tradings, que construíram parte de suas vantagens sobre informações pouco acessíveis aos produtores, devem enfrentar pressão sobre suas margens, já apertadas. “Para todo mundo que depende de assimetria de informação, esse é um jogo que vai ficar cada vez mais difícil”, diz Lucas Moino, sócio do BCG no Brasil.

Com acesso a preços e custos, o agricultor ganha poder de negociação. O FarmerChat, plataforma da Digital Green citada no estudo, já alcançou 830.000 produtores na África, Índia e Brasil e respondeu a mais de 5 milhões de consultas.

Com a ferramenta, o custo médio da orientação agronômica caiu de 35 dólares para 0,35 centavo de dólar por atendimento, segundo a consultoria.

O impacto deve ir além das revendas. Tradings devem perder vantagens sobre estoques e fluxos de grãos, enquanto fabricantes de máquinas podem ver o valor migrar dos equipamentos para os softwares.

A distância entre grandes, médios e pequenos tende a diminuir, embora escala e relacionamento continuem difíceis de replicar. Para Moino, o dado deixa de ser a questão central. “É um tema de confiança”, afirma. Na mesa de negociação, aponta o estudo, a disputa deixará de ser sobre quem sabe mais e passa a ser sobre quem merece a confiança do produtor.

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