São Paulo Escola de Dança estreia espetáculo no MASP. (Divulgação/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 16 de julho de 2026 às 08h18.
Quem passar pela Avenida Paulista nos próximos meses poderá encontrar um cenário que remete imediatamente ao universo visual de Bad Bunny. Casinhas coloridas, ruas estreitas e um pequeno anfiteatro tomaram conta do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) na instalação "Casa María Lionza", da artista venezuelana Sol Calero.
A obra integra a programação do museu dedicada à América Latina e tem entrada gratuita. Construída com placas de madeira pintadas em tons vibrantes de azul, rosa, verde e amarelo, a instalação é decorada com padrões inspirados em elementos comuns da paisagem latino-americana, como pastilhas e tecidos florais.
A semelhança com o palco da turnê de Bad Bunny, que passou pelo Brasil em fevereiro, chamou a atenção do público. Nos shows, o cantor porto-riquenho utilizou uma vila de pequenas casas coloridas como cenário para reforçar as referências ao cotidiano e à identidade cultural de Porto Rico presentes no álbum vencedor do Grammy Debí Tirar Más Fotos.
No caso de Sol Calero, porém, a proposta vai além da estética. Segundo a curadora Laura Cosendey, a arquitetura circular da instalação dialoga com formas coletivas de habitação e busca destacar o caráter comunitário dos espaços urbanos latino-americanos.
Enquanto a artista finalizava a pintura da obra, acontecimentos marcantes atravessavam sua trajetória pessoal, como o terremoto que deixou mais de 17 mil pessoas desabrigadas na Venezuela, seu país de origem. Embora atualmente viva em Berlim, Calero incorporou referências ligadas à memória e à cultura venezuelanas na instalação.
A obra também inaugura uma nova etapa para o vão livre do Masp. Desde que o espaço passou a ser administrado pelo museu, em 2024, por meio de uma concessão de 20 anos da Prefeitura de São Paulo, "Casa María Lionza" é a primeira instalação concebida especialmente para o local e apenas a segunda intervenção artística a ocupá-lo, após O Outro, Eu e os Outros, do colombiano Iván Argote.
Segundo a curadoria, a artista buscou inspiração nas pesquisas de Lina Bo Bardi sobre arquitetura popular latino-americana. As formas circulares da instalação fazem referência à Igreja do Espírito Santo do Cerrado, projetada pela arquiteta em Minas Gerais, reforçando a relação entre o museu e o espaço urbano.
Além de servir como obra de arte, a instalação foi pensada para ser ocupada pelo público. O pequeno anfiteatro, as vielas e as casas coloridas convidam visitantes de diferentes idades a circular, descansar e registrar fotografias no local.
Local: Masp – Avenida Paulista, 1.578, São Paulo
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
Em cartaz até: Maio de 2027
Horários de funcionamento: