Randon e 4all se unem para criar fintech para o setor de logística

O grupo de carrocerias e serviços automotivos se uniu à 4all, do ex-fundador da Getnet, para construir uma plataforma financeira para o setor de logística
Daniel Randon e José Renato Hopf: as duas empresas estão criando juntas produtos tecnológicos para facilitar a vida de caminhoneiros, transportadoras e postos de gasolina (Randon/Divulgação)
Daniel Randon e José Renato Hopf: as duas empresas estão criando juntas produtos tecnológicos para facilitar a vida de caminhoneiros, transportadoras e postos de gasolina (Randon/Divulgação)
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Carolina Ingizza

Publicado em 02/12/2020 às 16:40.

Última atualização em 03/12/2020 às 09:42.

Um objetivo comum uniu duas empresas brasileiras: construir uma plataforma financeira completa para o setor de logística. O grupo gaúcho Randon (de carrocerias e autopeças) anuncia nesta quarta-feira, 2, que se juntou a empresa de inovação 4all para construção de uma nova fintech, a R4. 

O projeto nasceu como parte da iniciativa de transformação digital do grupo. Buscando formas de se aproximar dos clientes, a Randon viu no setor financeiro uma oportunidade para além do seu banco e consórcio, que hoje representam 4% do seu faturamento anual. Com a criação da fintech, a empresa espera estreitar os laços da empresa com o ecossistema de startups brasileiro e aumentar a participação das soluções financeiras na receita do grupo.

A parceria com a 4all, que também estava de olho no segmento de logística, aconteceu para acelerar o desenvolvimento do projeto. A empresa, fundada em 2016 por José Renato Hopf após ele vender a Getnet para o Santander, é especializada em construir plataformas financeiras, de dados e marketplaces para grandes companhias. 

Somando o conhecimento de logística da Randon com a experiência da 4all em inovação, as duas empresas esperam colocar a plataforma no ar no primeiro trimestre de 2021. No momento, 20 pessoas das duas equipes trabalham em conjunto para criar a primeira versão da tecnologia. “É uma parceria que abre inúmeras possibilidades para entregas de serviços digitais que facilitem a vida do transportador”, afirma o presidente das Empresas Randon, Daniel Randon. 

As duas companhias entendem que falta uma solução específica para as necessidades das pessoas e empresas que trabalham com logística no Brasil. “Frete, cargas, manutenção, seguros — temos um mundo para ser explorado”, diz Daniel Ely, diretor de transformação da Randon.

Para começar a explorar as oportunidades, a R4 decidiu se especializar em duas frentes. A primeira, de serviços bancários, quer dar ferramentas como conta digital, transferências de dinheiro por Pix e emissão de boletos para os motoristas autônomos. O Banco Randon será a instituição bancária por trás das transações.

A segunda frente é a de digitalização. Focada em outros agentes da logística, como transportadoras e postos de gasolina, a R4 pretende ser uma plataforma que ajuda essas empresas a digitalizar processos que ainda são feitos no caderno ou na planilha de Excel. 

“Os produtos financeiros hoje são muito individualizados, ninguém está preocupado com a experiência do transportador. Com a R4, vamos trazer integrações e personalizações para os clientes, já que conhecemos as suas necessidades”, diz Hopf.

Nos próximos meses, as companhias vão criar uma joint venture para a R4 e devem apresentar os primeiros produtos do projeto.