Quer se exercitar em casa? Startup conecta alunos a treinadores por app

A Magic Fitness oferece uma rede de personal trainers do mundo todo para dar aulas individuais para quem quer se exercitar sem ir à academia

Correr na esteira, ver lives de dança no Instagram e assistir a vídeos de yoga no Youtube: sem poder ir a academias de ginástica, essas foram algumas das soluções encontradas por muitos brasileiros para continuar se exercitando durante o período de isolamento social. A pandemia do novo coronavírus acelerou a adoção de tecnologia na atividade física.

Uma das empresas que está surfando esta onda é a Magic Fitness, startup criada nos Estados Unidos pelo argentino Julian Herbstein e o brasileiro Ruy Drever em 2019. A empresa tem como proposta conectar personal trainers do mundo todo com alunos que querem fazer atividade física sem precisar ir até a academia. 

História da empresa

A ideia para o negócio veio de uma necessidade pessoal de Herbstein. Enquanto trabalha em um fundo de investimento em Hong Kong, o empreendedor vivia uma vida com horários malucos, fazendo ligações de madrugada e viajando entre os Estados Unidos e a Ásia constantemente. Sem uma rotina, não conseguia fazer atividade física e estava ganhando peso.

A solução apareceu em um contexto inesperado. Em um voo entre Hong Kong e Nova York, o empreendedor sentou-se ao lado de um personal trainer e os dois foram conversando durante a viagem sobre exercícios físicos. Em determinado momento da conversa, Herbstein propôs que o profissional o treinasse por Skype — um alternativa que poderia funcionar na sua agenda. Os primeiros meses de teste foram um sucesso e, ao longo do primeiro ano, o executivo conseguiu perder 35 quilos. 

Empolgado com os resultados, Herbstein decidiu deixar seu trabalho no fundo, se mudar para Nova York e começar a construir uma empresa para conectar personal trainers com alunos interessados em se exercitar em casa. No começo da sua jornada, amigos o apresentaram a Ruy Drever, dono da marca de artigos esportivos Pretorian. “Achei a ideia dele fantástica, funcionava tanto para um atleta experiente como para um novato que não sabe como começar”, diz o brasileiro. 

Juntos, eles trabalharam no desenvolvimento do aplicativo e no recrutamento dos primeiros profissionais de educação física. O produto, após testes de amigos e familiares, foi lançado em dezembro de 2019 no mercado americano, pouco antes da pandemia estourar. “No começo as pessoas não entendiam que eram aulas individuais, achavam que era um aplicativo de vídeo pré-gravado”, conta Drever.

O negócio deslanchou quando as empresas, que até então não eram o foco da startup, começaram a procurar alternativas de exercício físico para oferecer para seus funcionários em casa. A Samsung dos Estados Unidos e o Facebook da América Latina são duas das companhias que fecharam contratos com a Magic Fitness para seus empregados.  

Ruy Drever, cofundador da Magic Fitness: antes de criar a startup, o empreendedor fundou a marca esportiva Pretorian e trabalhou em empresas como Microsoft e UOL

Ruy Drever, cofundador da Magic Fitness: antes de criar a startup, o empreendedor fundou a marca esportiva Pretorian e trabalhou em empresas como Microsoft e UOL (Magic Fitness/Divulgação)

Modelo de negócio 

Hoje, a empresa disponibiliza aulas em inglês, espanhol e português, o que a permite atuar em 17 países. Só nos Estados Unidos, já foram mais de 40.000 alunas realizadas. No Brasil, cada aula custa a partir de 35 reais. Os pacotes mensais, com oito e dezesseis aulas, respectivamente, saem por 299 reais e 399 reais. 

O preço oferecido só é possível porque a startup aproveita as diferenças cambiais. Com professores bilíngues de países da América Latina e da África, ela consegue disponibilizar aulas de alta qualidade por um custo mais baixo que a média de mercado. 

Para dar escala ao modelo, os clientes não são sempre atendidos pelo mesmo professor. As aulas são marcadas com pouco tempo de antecedência, então é comum que haja sempre um personal novo. Para minimizar dificuldades, a plataforma registra todas as informações dos alunos no final de cada aula, assim os professores sabem o perfil do aluno antes de cada sessão.

“A intenção é que as pessoas usem o aplicativo conforme sua própria agenda e disponibilidade, e não de acordo com a disponibilidade do professor”, diz Drever.

As modalidades disponibilizadas variam muito. Há opções de treinos de alta intensidade, treinos funcionais, de musculação, yoga e alongamento, por exemplo. Recentemente, a empresa passou a oferecer também aulas específicas para o público infantil e idoso, com tratamento especializado para cada faixa etária. 

A Magic Fitness recebeu até então 2 milhões de dólares de investimento anjo e abriu uma nova rodada de mais 2 milhões para expandir sua atuação para mais mercados. A projeção dos sócios é que a empresa termine 2020 faturando entre 6 e 8 milhões de dólares. O desafio agora é continuar crescendo e manter os alunos ativos quando o isolamento não for mais a norma.

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