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Quando um empreendedor deve ouvir sua intuição?

Como lidar com situações em que os números indicam que permanecer aderente aos valores da companhia se mostra a coisa mais dispendiosa a se fazer?

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Profissões que exigem pura criatividade desafiam as pessoas no dia a dia  (Thinkstock/Thinkstock)

Profissões que exigem pura criatividade desafiam as pessoas no dia a dia (Thinkstock/Thinkstock)

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Editado por Mariana Desidério

Publicado em 23 de março de 2016 às, 15h42.

Quando um líder deve ouvir sua intuição?
Escrito por Enio Borges, especialista em empreendedorismo

Numa ampla sala de reunião estão conversando dois empreendedores. De um lado, o experiente fundador de uma das maiores empresas do Brasil, e do outro, ouvindo atentamente seus conselhos, está um jovem empreendedor, dono de uma das empresas brasileiras que mais crescem no setor de tecnologia. Apesar da notável diferença de tamanho e robustez dos negócios, ambos, guiados pela intuição que os líderes carregam consigo, tiveram a capacidade de tirar do papel o “sonho grande” que tinham em mente. Mas será que essa intuição, inata aos empreendedores, atuou da mesma forma nos caminhos trilhados pelos dois? A princípio não. Pelo menos no momento crucial da abertura de seus negócios.

Nosso experiente fundador recebeu desde muito jovem a responsabilidade de trabalhar pra sustentar sua família. Recém-saído da faculdade decidiu abrir a primeira empresa com pouco dinheiro e nenhum conhecimento do negócio. A decisão de começar foi baseada na intuição e no anseio interior de empreender que possuía desde criança. Já o nosso jovem empreendedor digital, que apesar do bom português, não nega os traços racionais e exatos de sua origem alemã, decidiu empreender guiado pela razão. Junto com seu sócio, estudou o potencial do negócio no Brasil e traçou um plano considerando todas as dificuldades do nosso ambiente empreendedor e partiu pra execução. Duas abordagens completamente opostas quanto ao uso da intuição, no entanto, de dois líderes à frente de negócios bem sucedidos.

Um olhar mais profundo na história dos empreendedores citados, além do momento inicial, mostra que não há uma única abordagem correta.

Nenhum dos dois jamais teria construído negócios de valor se usassem somente a intuição ou a razão na tomada de suas decisões. Ambos precisaram combinar abordagens que, principalmente, respeitassem seus valores. Como lidar então, com situações em que os números indicam que permanecer aderente aos valores da companhia se mostra a coisa mais dispendiosa a se fazer? É nestes momentos em que a intuição e os valores do líder, como excelência, ética e meritocracia entram em cena. Contrariar os números para preservar os valores, nestes casos, parece ser uma decisão acertada. 

Esta aderência aos valores se mostra como o grande indicador da direção correta a se seguir quando intuição e razão são contrapostas. Todo empreendedor que se preze sempre estará munido de números para gerir seu negócio. Seja no caixa, nos indicadores da operação ou na opinião dos clientes. Os dados mostram o caminho mais racional a se seguir para o bem dos negócios. Os empreendedores que a Endeavor acompanha no Brasil tiveram que tomar decisões baseadas em números como estes, centenas de vezes, ao longo de suas trajetórias. Mas os números contam somente uma parte da história. A outra deve ser escrita todos os dias, quando a intuição mostra que o que conta no longo prazo, é na verdade, os valores de um líder bem sucedido.

Enio Borges é coordenador de apoio a empreendedores da Endeavor Brasil.

Envie suas dúvidas sobre empreendedorismo para pme-exame@abril.com.br.

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