Conheça o empreendedor que tornou possível a Parada LGBT na pandemia

Neste domingo, acontece a primeira edição da Parada LGBT ao vivo de São Paulo, com oito horas de transmissão de shows e debates

A 24ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que aconteceria neste domingo 14 de junho, foi adiada por causa da pandemia de coronavírus para novembro. Para não deixar a data perdida, o evento vai ser celebrado hoje de uma forma diferente: pela internet. 

A ONG APOGLBT, o YouTube Brasil e a produtora Dia Estúdio promovem uma transmissão ao vivo de oito horas com debates sobre temas como a visibilidade da comunidade trans e o racismo no Brasil e shows de artistas como Daniela Mercury, Liniker e Gloria Groove. O evento vai ser transmitido simultaneamente em dez canais do YouTube a partir das 14h. Os shows começam a partir das 18h e vão até as 22h.  

A Parada ao vivo vai tentar trazer a experiência do cortejo na rua para a casa das pessoas, mas aproveitando as vantagens que o meio digital traz. Ao longo do dia, mais de 20 vídeos produzidos sobre a história do movimento LGBT no Brasil serão exibidos nos intervalos das apresentações.

A ideia de fazer a #ParadaSPaoVivo foi do empreendedor Rafael Dias, sócio da produtora Dia Estúdio. Com a popularização das lives no YouTube durante o período de isolamento social, ele percebeu que poderia garantir a realização do evento para a comunidade LGBT. “Entrei em contato com a ONG propondo a versão virtual e eles também estavam pensando em fazer algo assim. Houve vontade dos dois lados”, diz. 

Dias é um entusiasta das lives. A Dia Estúdio investe nesse formato de vídeo desde 2017 e a partir de 2018 conseguiu autorização para fazer a transmissão ao vivo da Parada de São Paulo, considerada a maior do mundo, no YouTube. “Ano passado passaram 6 milhões de pessoas na live e 3 milhões na Paulista”, afirma o empresário.

parada-LGBT-SP-virtual-empreendedor-responsável Rafa Dias, presidente da Dia Estúdio: empreendedor investe em lives no YouTube desde 2017

Rafa Dias, presidente da Dia Estúdio: empreendedor investe em lives no YouTube desde 2017 (Léo Cardoso/Dia Estúdio/Divulgação)

Da MTV ao YouTube

Dias apostou sua carreira na internet. O empresário se formou em Televisão e Cinema no Canadá em 2007, mas voltou ao Brasil para trabalhar como diretor na MTV. Na emissora, percebeu o papel crescente que os youtubers estavam ganhando na opinião pública e resolveu empreender na área. 

Em 2010, montou seu próprio canal, o Programa de 1 Cara Só, para entrevistar os maiores nomes do YouTube brasileiro. Quatro anos depois, após uma viagem aos Estados Unidos para conhecer a sede da plataforma de vídeos, fundou, junto com a sócia Andressa Mafra, a produtora Dia Estúdio.

A ideia dos sócios era abrir uma empresa de produção de conteúdo digital com foco em diversidade. O primeiro projeto foi com o canal Depois das 11, que tinha 11.000 inscritos na época de assinatura do contrato e hoje acumula mais de 3,2 milhões de seguidores. “O mercado entendeu nosso trabalho, os youtubers nos valorizam muito”, afirma Dias.

A empresa atualmente produz 25 canais do YouTube brasileiro, como LubaTV, Diva Depressão, Lorelay Fox, Blogueirinha e Nátaly Neri, e tem uma audiência média mensal de 170 milhões de visualizações. 

Para ajudar os artistas com roteiro, gravação, edição dos vídeos, além da parte administrativa da carreira, a Dia Estúdio cobra uma taxa média de 20% sobre o que os nomes associados a ela ganham em publicidade e eventos. Em 2019, a empresa faturou 14 milhões de reais. 

Ao todo, a produtora emprega 40 pessoas. Com a pandemia de coronavírus, foi necessário desenvolver um modelo remoto de trabalho. “Fizemos vários investimentos em equipamentos controlados à distância”, diz Rafael Dias. No estúdio da empresa, em São Paulo, as gravações acontecem já com 90% da equipe em casa. Presencialmente, só precisam estar o youtuber, o diretor e um técnico. 

Dias acredita que o período de isolamento social acelerou a adoção de novas tecnologias. Por isso, o empreendedor aposta cada vez mais nos vídeos ao vivo pela internet. "As lives vão entrar na cultura”, afirma.

O desafio, para ele, é fazer a audiência, que é 80% proveniente de dispositivos móveis, continuar assistindo o conteúdo mesmo com as distrações das notificações de outros aplicativos.

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