O que esperar do mercado de startups em 2014

Mudanças em modelos de negócios e mais investidores-anjos estão entre as apostas dos especialistas para o mercado no próximo ano

São Paulo – Investimentos milionários, apoio governamental e falências. Este ano foi crucial para o mercado de startups brasileiro. Segundo dados da Anjos do Brasil, associação que reúne investidores, entre junho de 2012 a julho de 2013, o investimento-anjo, destinado a startups, cresceu 25% no Brasil, somando 619 milhões de reais.

Para 2014, um ano promissor com a chegada da Copa do Mundo, a expectativa é de ainda mais movimentações. “2014 será um ano atribulado para o mercado de capital de risco e startups, devido aos fatores internos, como eleição, Copa do Mundo e falta de saídas, e externos, como as dúvidas sobre a manutenção do grau de investimento”, opina Fernando de La Riva, diretor executivo da Concrete Solutions.

Nem tudo, no entanto, deve ser negativo neste mercado. A evolução do cenário empreendedor, cada vez mais profissional, deve se aprofundar no próximo ano. “Houve um crescimento em 2013 da capacitação do empreendedor, que hoje está muito mais preparado que há alguns anos”, afirma Camila Farani, investidora-anjo.

Um mercado mais bem preparado leva a dois movimentos, mais empresas focadas em resultados e possivelmente mais fechamentos. “Vamos ver empreendedores mais educados, baseando seus projetos em metodologias consagradas e aprendendo com os erros”, diz Pedro Waengertner, co-fundador da Aceleratech. “Creio que algumas experiências negativas de cases brasileiros tenham dado uma freada na entrada de amadores”, afirma Camila Farani, investidora-anjo

O varejo online, por exemplo, pode passar por um momento de novas possibilidades. “Uma mudança negativa seria uma revisão de apostas e fechamento de muitos negócios de varejo digital multimarca, que sentem as dificuldades de margem e fluxo de caixa, intrínsecas ao setor, e a priorização de modelos alternativos de varejo online”, diz Riva.

Investimento

A tendência para 2014 é que os investimentos fiquem mais precisos. “Os investidores-anjo estão amadurecendo e fazendo investimentos cada vez mais centrados no resultado”, diz Waengertner.

Para Riva, as startups mais enxutas devem dominar o mercado. “Vai ser um ano de startups enxutas e muito “bootstrapping” (autofinanciamento) e de uma gradual mudança de modelo de negócios, passando de cópias para modelos mais arriscados e inovadores”, indica.

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