Índice Global de Inovação 2020: Brasil avança, mas segue em posição baixa

País subiu quatro posições em relação a 2019, chegando ao 62º lugar, mas ainda está abaixo de patamares registrados em anos anteriores

O Brasil subiu quatro posições no ranking do Índice Global de Inovação 2020, ocupando a 62ª posição entre os 131 países analisados. Apesar da melhora em relação a 2019, o país ainda está 15 posições atrás da 47ª colocação que ocupava em 2011.

Hoje, na América Latina, o país fica em quarto lugar, atrás do Chile (54º), México (55º) e Costa Rica (56º). Entre o bloco das nações em desenvolvimento Brics, o país está em última posição, atrás da Rússia (47º), Índia (48º), China (14º) e África do Sul (60º).

A classificação é feita anualmente, desde 2007, pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), em parceria com a Universidade de Cornell e a Insead. No Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) é parceira na produção e divulgação do índice desde 2017.

Para a CNI, colocação brasileira não é digna de celebração. “O 62º lugar não é uma posição que corresponda ao tamanho e importância da nossa economia, que é a nona maior do mundo”, diz Gianna Sagazio, diretora de inovação da CNI.

A especialista afirma que os países mais inovadores do ranking adotaram o investimento em inovação como principal estratégia para desenvolvimento econômico e social, enquanto, no Brasil, os gastos com ciência, tecnologia e inovação diminuem ano a ano.

Como forma de ampliar os investimentos no setor, a CNI pede a liberação de recursos do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Para isso, a entidade apoia o Projeto de Lei Complementar n° 135, de 2020, proposto pelo senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que quer proibir o contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Hoje, dos 6 bilhões autorizados para o FNDCT no Orçamento, 5 bilhões estão contingenciados. O projeto foi aprovado no Senado no dia 13 de agosto e aguarda tramitação na Câmara dos Deputados.

Países desenvolvidos na liderança

Os dez países nas melhores posições do índice são, respectivamente, Suíça, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Singapura, Alemanha e Coreia do Sul. A Suíça, com a melhora no desempenho em patentes e contratos de capital de risco, manteve sua primeira colocação. Entre os 25 primeiros colocados da lista, 16 são países europeus e somente a China, na 14ª posição, não é um país desenvolvido.

Mas o cenário medido pelo índice não é estático. Países que investiram consistentemente em inovação conseguiram se movimentar no ranking. "Como demonstram os exemplos da China, Índia e Vietnã, a busca persistente da inovação produz resultados positivos ao longo do tempo", afirma o ex-reitor e professor de administração de empresas da Universidade Cornell, Soumitra Dutta.

Este ano, as Filipinas chegaram a 50ª posição pela primeira vez. Em 2014, o país ocupava a 100ª colocação. O Vietnã, que hoje é o país de renda média baixa mais bem colocado, no 42ª lugar, estava na 71ª posição em 2014.

Impactos da pandemia

Um empecilho que pode atrapalhar a continuidade dos processos de inovação no mundo todo é a pandemia do novo coronavírus. Apesar da crise ter forçado esforços nas áreas de saúde e educação, muitos setores foram pressionados pela queda de faturamento repentina e podem ficar sem fontes de financiamento.

Uma das conclusões do Índice Global de Inovação de 2020 é que os fundos para financiar iniciativas inovadoras estão esgotando, especialmente na América do Norte, Ásia e Europa. Para os autores, isso significa que empresas que dependem de capital de risco em uma fase inicial do negócio e startups que têm processos de pesquisa e desenvolvimento intensivos serão mais afetadas.

Em relação à globalização, Bruno Lanvin, diretor executivo de índices globais do Insead, defende que os países precisam continuar a fazer esforços conjuntos, como os feitos em busca da vacina para coronavírus, para seguir encontrando a saída para crises futuras. "Diante de desafios sem precedentes, quer sanitários, quer ambientais, ou ainda econômicos ou sociais, o mundo precisa aliar esforços e recursos a fim de assegurar o financiamento contínuo da inovação", afirma o diretor.

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