Esta empresa cresceu 25% em 2020 com caixas automáticos nos rincões do Brasil

A gaúcha Saque e Pague instala ATMs em cidades pouco atendidas por bancos tradicionais, um filão cada vez maior com a onda de fechamento de agências bancárias. No ano passado, o negócio faturou 146 milhões de reais

O crescimento de bancos digitais como Inter e Nubank – que praticamente dobrou o número de clientes na pandemia, para perto de 34 milhões –  vem motivando uma nova oportunidade de negócios: oferecer o serviço de caixas automáticos, ou ATMs, para os clientes dessas instituições cujo modelo de negócio pressupõe nada de agências, gerentes ou outras estruturas físicas típicas dos bancões tradicionais.

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Trata-se de uma situação capaz de tirar do sério alguns dos clientes dos bancos digitais: como arranjar dinheiro em papel moeda para pagar compras em rincões do Brasil em que meios de pagamentos eletrônicos como cartões de crédito ou transferências via Pix ainda estão fora do radar?

Evitar esse tipo de percalço é a prioridade número 1 do gaúcho Givanildo Luz, presidente da Saque e Pague, empresa de tecnologia de Porto Alegre aberta em 2010 por um grupo de sócios da credenciadora de cartões de crédito GetNet, vendida anos depois para o banco Santander.

O modelo de negócios da Saque e Pague está em instalar caixas automáticos em locais movimentados, como postos de gasolina e supermercados e permitir serviços como saques, depósitos e pagamento de boletos a clientes de vários bancos diferentes, em linha com o modelo de concorrentes como o tradicional Banco24Horas. 

A diferença para os concorrentes está na localização desses terminais – em boa medida em cidades sem agências bancárias ou outros ATMs – e no rol de bancos cadastrados. Na lista de 36 instituições financeiras credenciadas à rede da Saque e Pague estão bancos digitais badalados pelos jovens, como Nubank e Inter, além de cooperativas de crédito com forte presença no interior do país, como Sicoob e Sicredi.

As receitas da Saque e Pague vêm de comissões cobradas dos bancos para as transações de seus clientes além de uma espécie de aluguel pago pelos estabelecimentos comerciais onde os caixas estão instalados. “Uma estrutura desse tipo costuma atrair pessoas ao local que podem virar clientes”, diz Luz.

Em meio à pandemia, a Saque e Pague está num momento de expansão acelerada. No ano passado, o negócio faturou 146 milhões de reais, alta de 25% em relação a 2019. E, pelo ritmo de negócios do início deste ano, a empresa tem a expectativa de crescer as receitas perto de 50% em 2021, para algo como 211 milhões de reais.

Por trás da expansão acelerada da Saque e Pague está uma particularidade do modelo de negócio: boa parte dos 1.700 caixas automáticos da empresa pelo Brasil estão em cidades com pouca ou nenhuma agência bancária. 

Atualmente, a empresa está em 280 cidades de todos os estados, sendo que em mais de 45 delas é a única opção de autoatendimento. “É uma lacuna que só tende a crescer nos próximos anos, com o fechamento de agências bancárias como parte da estratégia de digitalização dos bancos tradicionais”, diz Luz.

Nos primeiros anos, a Saque e Pague focou esforços numa presença maciça em cidades de pequeno porte do interior gaúcho – quase 100% dos municípios do estado têm alguma presença da empresa. No fim do ano passado, o negócio chegou à região amazônica na esteira do credenciamento do Banco da Amazônia, uma das principais instituições financeiras, ao sistema da Saque e Pague. Agora no início de 2021 o foco é o interior de Santa Catarina: 70 caixas automáticos estão sendo instalados em cidades do interior catarinense.

O desafio para 2021 é diversificar os locais onde é possível encontrar os caixas automáticos da Saque e Pague. “Estamos em pouco mais de 300 dos 5570 municípios brasileiros. Há espaço muito grande ainda para expansão”, diz Luz. A empresa quer ainda ampliar a presença em aeroportos. Recentemente, a Saque e Pague fechou parcerias com donos de ATMs em aeroportos concedidos à iniciativa privada no Brasil para fazer a gestão dessas tecnologias. 

Em outra frente, a Saque e Pague desenvolveu nos últimos meses uma espécie de “mini-ATM” restrito a serviços essenciais, como o saque de recursos. A ideia é usar o aparelho para expandir a presença da empresa a varejistas de menor porte, como padarias.

Um percalço à expansão da Saque e Pague pode estar justamente no avanço da tecnologia sobre o setor. Inovações como as transferências de recursos via Pix, em funcionamento desde novembro do ano passado, podem inibir o uso de dinheiro físico para pagamentos, reconhece Luz. A inovação mudou inclusive o negócio da Saque e Pague. 

Hoje em dia, clientes com dinheiro na mão podem depositar os recursos num caixa automático da empresa e, em seguida, transferir os volumes, via Pix, a clientes de qualquer instituição bancária conveniada. “No futuro, queremos expandir nossa atuação para além de instituições financeiras”, diz Luz, citando o pagamento de contas de água, luz e telefonia como uma demanda a ser atendida em breve pela empresa.

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