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Virada de um dentista: da pequena Caibi, em SC, à rede de R$ 350 milhões

Fundador da OdontoTop projeta alcançar 100 unidades em 2026 e revela que a origem no município com cerca de 6 mil habitantes moldou seu olhar sobre gestão e a forma como encara a expansão planejada

Cristiano Demartini, fundador da OdontoTop (Divulgação/Divulgação)

Cristiano Demartini, fundador da OdontoTop (Divulgação/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 17h11.

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No Extremo Oeste catarinense, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Argentina, onde Santa Catarina faz fronteira com o país vizinho às margens do Rio Uruguai, histórias de empreendedorismo poucas vezes alcançam escala nacional — e menos ainda avançam para fora do país.

Foi nesse ambiente que Cristiano Demartini, natural de Caibi (SC) — município com pouco mais de 6 mil habitantes — iniciou uma trajetória empresarial que hoje conecta interior, gestão profissional e expansão internacional, rompendo o padrão de negócios restritos ao mercado local.

À frente da OdontoTop, Demartini comanda uma holding que faturou R$ 300 milhões em 2025, opera 80 unidades em todas as regiões do Brasil e já definiu o próximo marco estratégico: encerrar 2026 com 100 unidades em operação e faturamento superior a R$ 350 milhões.

O crescimento segue uma lógica conservadora, com abertura gradual de unidades e forte controle de custos. “Nunca foi sobre crescer rápido. Sempre foi sobre crescer certo”, afirma o executivo.

Filho de agricultores, Demartini cresceu em um ambiente onde planejamento, controle de despesas e visão de longo prazo fazem parte da rotina. Incentivado pelos pais a estudar, tornou-se o primeiro graduado da família e formou-se em Odontologia.

Em 2012, abriu um consultório simples em Chapecó, principal polo urbano do Oeste catarinense, atendendo pessoalmente os pacientes e acumulando as funções clínicas e administrativas do negócio.

“A gente cresce ouvindo que precisa fazer direito, gastar menos do que ganha e pensar no amanhã. Isso vem do campo, vem de casa”, diz. “Quando levei essa lógica para a odontologia, percebi que havia um espaço enorme para profissionalizar a gestão.”

Ao longo da década seguinte, o consultório evoluiu em volume de atendimentos, mas ainda mantinha limitações típicas do modelo tradicional. “A maior parte das clínicas morre pequena porque depende exclusivamente do dono. Sem gestão, não há escala”, afirma. A constatação levou à busca por um formato replicável, menos dependente do fundador e mais orientado a processos.

A virada para escalar

A virada de chave ocorreu durante a pandemia, em 2020. Enquanto boa parte do setor de saúde freava investimentos diante da incerteza econômica, Demartini tomou a decisão mais arriscada da carreira: abandonar o atendimento clínico para se dedicar integralmente à gestão da empresa.

“Foi a decisão mais difícil da minha carreira”, afirma. “Mas a pandemia deixou claro que, se eu continuasse atendendo, o negócio não escalaria. A odontologia precisava ser pensada como empresa, não apenas como consultório.

A escolha acelerou a consolidação do conceito de “Hospital do Dente”, que concentra, em uma única unidade, desde procedimentos básicos até cirurgias odontológicas de maior complexidade.

O modelo elevou a eficiência operacional, aumentou o tíquete médio e reduziu custos ao centralizar estrutura, equipe e tecnologia, além de ampliar o acesso a tratamentos completos em cidades fora dos grandes centros. Segundo Demartini, o gargalo do setor nunca foi técnico. “O Brasil forma excelentes dentistas. O problema sempre foi gestão, padronização e acesso à tecnologia.”

Nesse processo, a OdontoTop investiu em sistema próprio de gestão, protocolos clínicos padronizados e inteligência artificial para apoio em diagnósticos e planejamento de tratamentos. “Tecnologia não substitui o dentista, mas aumenta precisão e reduz desperdício”, afirma. “Isso faz toda a diferença quando você opera dezenas de unidades.”

Um indicador reforça a estratégia adotada desde então: nenhuma unidade da rede foi fechada desde a fundação. “Não crescemos a qualquer custo. Crescemos quando a conta fecha”, resume.

Hoje, a empresa tem presença no Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, com unidades em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Amazonas, priorizando cidades médias e polos regionais fora das capitais, onde a demanda por atendimento odontológico integrado é elevada.

A expansão internacional começou com a abertura de uma unidade em Santa Rita, no Paraguai, movimento ancorado na demanda já existente de pacientes estrangeiros atendidos por clínicas da rede no Sul do Brasil, especialmente em cidades próximas à fronteira.

“Há uma carência clara de infraestrutura odontológica completa fora das capitais”, afirma. “O Hospital do Dente resolve um problema real nesses mercados.”

A trajetória de Demartini é um case de como disciplina financeira, padronização e visão de longo prazo — valores típicos do agronegócio — podem ser aplicados a serviços de saúde, mesmo em um setor tradicionalmente pulverizado e pouco escalável. “Eu saí de uma cidade pequena”, afirma. “Mas foi ali que aprendi a construir com base forte. O tamanho da origem nunca limitou o tamanho do projeto.”

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