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Uma empresa brasileira quer fazer o mundo todo usar o WhatsApp para assinar documentos importantes

Foco da empresa agora é apostar na Europa e no Canadá para dobrar faturamento e chegar a R$ 45 milhões em receita

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Getúlio Santos, da ZapSign: “Dois terços dos nossos clientes vêm de quem, em algum momento, assinou documentos da nossa ferramenta” (ZapSign/Divulgação)

Getúlio Santos, da ZapSign: “Dois terços dos nossos clientes vêm de quem, em algum momento, assinou documentos da nossa ferramenta” (ZapSign/Divulgação)

Na pandemia, além de todas as questões financeiras e de saúde relacionadas às restrições sanitárias, empresas tiveram um desafio extra, de um dia para o outro: como fazer clientes, funcionários e fornecedores assinarem contratos, se não era possível encontrar outras pessoas?

A alternativa foi apostar nas assinaturas digitais, que ganharam fôlego durante esse período. Para ter uma ideia, esse mercado, globalmente, valia US$ 1,5 bilhão em 2019. Dois anos depois, já na pandemia, o número praticamente triplicou, para US$ 4,5 bilhões. E a expectativa é que atinja um patamar de US$ 42 bilhões para 2030, num crescimento de 28% ao ano. 

Foi nesse potencial — e nesse mercado — que o advogado Getúlio Santos mirou para fundar a ZapSign no início da pandemia. A aposta do empreendedor foi facilitar o máximo possível esse processo de assinatura. E, para isso, focou em algo que muitos brasileiros usavam praticamente o dia inteiro durante a pandemia, especialmente para trabalhar: o WhatsApp

“As ferramentas de assinaturas eletrônicas foram criadas num mundo baseado em e-mail”, diz. “Mas entendemos que o mundo precisava de mais agilidade, e focamos em como fazer essas assinaturas por aplicativos de mensagem, mas mantendo a validade jurídica”. 

A ideia foi fazer um projeto piloto, para ver o que ia acontecer. Ele se juntou com outro advogado, Renato Haidamous Rampazzo, que era, ainda, desenvolvedor autodidata, e criaram o ZapSign. A expectativa era ter mil usuários no primeiro ano. Bateram a meta, porém, na primeira semana.

Agora, cerca de três anos depois, a ZapSign já está em outra escala. A empresa hoje faz parte de um grupo colombiano, a Truora, que comprou a operação em 2021, e está com planos de expansão internacional. 

Por isso, a meta para 2024 é faturar R$ 45 milhões, o dobro dos R$ 22,5 milhões que faturaram em 2023 — ano em que, também, dobraram de tamanho. 

Como funciona a ZapSign

A ZapSign surgiu para ser uma ferramenta de coleta de assinaturas. Na prática, funciona assim: a empresa sobe o documento que quer que seja assinado na plataforma da startup e escolhe como quer que a pessoa assine, pelo e-mail, WhatsApp ou outro aplicativo de mensagem, como Telegram.

Se for a primeira opção, acontece como outras grandes empresas do setor, como a DocuSign: o e-mail chega com o documento, a pessoa segue os passos e assina o papel.

Se escolher o WhatsApp, é preciso colocar o número para onde será enviado o documento ou copiar o link. Depois, é com a empresa mesmo. Ela envia uma mensagem automática para o aplicativo de mensagem da pessoa com o link do documento. A pessoa acessa e pronto.

No processo de assinar, é feito o que o setor conhece como assinatura eletrônica. Nela, a pessoa provê alguns dados e assina com reconhecimento facial, o que garante validade jurídica

“Criamos essa ferramenta pensando como diferencial competitivo a usabilidade”, afirma Santos. “Todas as plataformas que existem hoje são extremamente completas, mas não são tão ágeis. Nós conseguimos fazer uma assinatura em 2 minutos. E cobrando em reais, não em dólar”.

A empresa fatura cobrando de quem quer coletar a assinatura. O dinheiro entra de duas maneiras diferentes: numa, o cliente paga uma mensalidade, que varia conforme um pacote predefinido de número de contratos que quer que seja assinado por mês. Na outra, a ZapSign instala um sistema interno para a empresa emitir quantos documentos quiser — e cobra uma taxa de cada documento assinado. 

Qual é o plano de expansão da ZapSign

Desde que foi comprada pela Truora, a ZapSign virou uma empresa global, com clientes pagantes em 21 países. 

“Nosso produto tem como característica um potencial viral muito grande”, diz Santos. “Dois terços dos nossos clientes vêm de quem, em algum momento, assinou documentos da nossa ferramenta”.

Hoje, a empresa já considera que tem um mercado relevante (além de no Brasil) na Colômbia, no México, na Argentina e no Chile. Na segunda posição estão os Estados Unidos. Por ali, a estratégia nem foi tanto o WhatsApp, porque os americanos não usam tanto a plataforma como os latinos, mas na usabilidade e no foco em um preço mais competitivo. 

O próximo passo, agora, é o Canadá e dois países europeus, a Espanha e Portugal. “Estamos passando pela adequação para proteção de dados na União Europeia”, diz. “Até o segundo semestre, queremos ter equipes de venda atuando na Europa”. 

Aliás, essa questão de regulação é, de certa forma, um limitador. Como cada país pode ter uma lei diferente para entender se uma assinatura tem validade jurídica, isso pode ser um impeditivo para expandir. A equipe da ZapSign, porém, trabalha justamente estudando isso e criando alternativas para expandir globalmente. 

Para iniciar os trabalhos no Canadá, além da tradução de conteúdos do site e plataforma para o inglês e francês, a startup brasileira utilizará duas estratégias: impactar o mercado por meio de campanhas específicas e por meio de clientes atuais que já possuem operações no país. 

É focando nesses três países, além do fortalecimento dos mercados atuais, que a ZapSign deve crescer 100% neste ano e faturar R$ 45 milhões. Demanda para isso, diz Santos, existe. 

“A pandemia acelerou esse processo de transformação digital na empresa, e a assinatura eletrônica é um dos primeiros passos, mas a demanda continua e ainda tem grande cenário de crescimento pela frente”, afirma. “E queremos aproveitar essa caminhada. A assinatura eletrônica está sendo o primeiro passo, mas queremos estar presente nos próximos, como em certificados digitais, por exemplo”.

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