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Um aplicativo do interior de SP já fatura R$ 35 milhões com delivery de tudo — e, melhor: sem taxas

Empresa quer faturar R$ 72 milhões em 2024 vendendo licenças para operadores cuidarem dos aplicativos pelas cidades

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Gabriel Medeiros e Ciro Thiago Nogueira, do Papa Delivery: "O ponto de venda pode faturar o quanto conseguir, a nós, vai pagar sempre a mesma taxa mensal” (Papa Delivery/Divulgação)

Gabriel Medeiros e Ciro Thiago Nogueira, do Papa Delivery: "O ponto de venda pode faturar o quanto conseguir, a nós, vai pagar sempre a mesma taxa mensal” (Papa Delivery/Divulgação)

O delivery explodiu no Brasil nos últimos anos, impulsionado, principalmente, pela pandemia. Hoje, os brasileiros já gastam mais de 40 bilhões de reais por ano pedindo comida de restaurantes em casa.

Nessa seara bilionária, alguns jogadores se destacaram. O exemplo mais óbvio é o iFood. Um levantamento da consultoria Runaway mostra que o aplicativo criado pelos sócios Patrick Sigrist, Eduardo Baer, Guilherme Bonifácio e Felipe Fioravante em 2011 tem mais de 80% do market share do setor e mais de 60 milhões de pedidos mensais.

Nessa lista também participam nomes como a colombiana Rappi e a paulistana Daki. Também já tentaram disputar o jogo gigantes como a Uber, no período em que operou em solo brasileiro o Uber Eats. 

Num mercado bem estruturado e com uma liderança tão sólida, entrar como um novo player pode ser -- no mínimo -- difícil. A Papa Delivery, de São José do Rio Preto, porém, quer tentar. 

E qual a estratégia para bater a concorrência? Focar num ponto que costuma ser gatilho de reclamação entre os restaurantes: a taxa de comissão do aplicativo. 

“Nós não cobramos comissão”, afirma o sócio-fundador da empresa, Gabriel Medeiros. “O que fazemos é cobrar uma mensalidade fixa. O ponto de venda pode faturar o quanto conseguir, para nós, vai pagar sempre a mesma taxa mensal”. 

Segundo Nogueira, a média cobrada dos restaurantes pela plataforma é de 159 reais por mês. O modelo também se difere porque funciona numa modalidade semelhante às de franquia. 

Por ali, um licenciado compra os direitos da Papa Delivery e fica responsável por cuidar da plataforma numa cidade. Assim, ele gere o pagamento com os restaurantes e faz toda a gestão com os entregadores. 

Com essa estratégia, a empresa faturou 35 milhões de reais em 2023 - e quer mais para 2024, atingindo os 72 milhões de reais em receitas. 

A grande aposta para este ano é a consolidação de uma resolução do Cade, o xerife da livre concorrência no Brasil, do início do ano passado, que criou limites à prática de exclusividade nos contratos celebrados entre aplicativos e restaurantes parceiros.

“Algumas redes de comércio tinham contrato de exclusividade com aplicativos de delivery”, diz Nogueira. “O Cade regulamentou isso, e agora, o ponto de venda que só poderia vender por uma plataforma, pode vender em diversas. Isso acabou facilitando a entrada de novos players”. 

Como o Papa Delivery nasceu

Ciro Thiago Nogueira, sócio de Medeiros, teve sua primeira experiência empreendedora aos 18 anos. Natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ele abriu uma empresa de modalidade de laço em dupla para crianças. O negócio faliu em sete meses. 

Quatro anos depois, Nogueira criou o app CompreGados, que conecta compradores e vendedores de gados. O novo negócio deu certo e impulsionou o empreendedor a buscar novos projetos. Essa operação, que segue sendo do executivo, já realizou mais de 1,2 bilhão de reais em negócios desde que foi lançada, em 2019, e projeta faturar 80 milhões de reais em 2024.

Nogueira observou que os estabelecimentos, para fugir de altas taxas, começaram a lançar seus próprios apps. Acompanhando a movimentação do mercado, ele criou a Bebidas Online, que funciona num modelo semelhante ao Papa Delivery. Há venda de licenças para uso na região e gestão de entrega, mas exclusivamente de bebidas.

Depois, num movimento natural, lançou o Papa Delivery. Um dos diferenciais, além do fato de não cobrar comissão, está no que entrega: tudo.

“Não entregamos apenas comida”, diz. “De produtos de beleza a itens para pet, material de construção, todo tipo de negócio pode se beneficiar da operação de delivery do Papa”.

Hoje, isso é algo que já está presente, de certa forma, também nas grandes empresas do setor. O Rappi, por exemplo, tem seções com itens para casa e decoração, beleza e saúde, brinquedos e papelaria. O iFood, num movimento semelhante, já tem farmácia e supermercado em seu aplicativo. Na época que o Papa Delivery nasceu, porém, essa diversidade era ainda incipiente.

Quais os planos da Papa Delivery

 Atualmente, o aplicativo tem mais de 150.000 usuários cadastrados na plataforma. Até outubro do ano passado, atuava em cerca de 116 cidades, onde tinha licenciamentos. 

Para 2024, a estratégia é crescer, principalmente, o número de licenças de operações nos municípios. Querem ter 300 unidades em operação até o fim do ano, sendo 30 próprias, controladas pela holding da empresa (que também chefia a Bebidas Online e a CompreGados). 

 “Vamos investir num modelo em que compramos parte da licença na cidade, e a outra parte fica com um sócio-operador”, diz Medeiros. “Nosso objetivo é abrir mais unidades próprias do Papa Delivery para garantir o melhor atendimento para todos e ser o segundo maior aplicativo de delivery no Brasil”.

Nessa trilha de objetivos, há também desafios. Um deles é de conquistar clientes num mercado já bem estruturado e que nem grandes empresas, como a Uber, conseguiram disputar. Outro é do próprio modelo de negócio, que limita a escalabilidade a novas licenças de municípios. Por outro lado, isso pode também fazer com que o app chegue em cidades que não contam com aplicativos de entrega. 

Desafios e estratégias que estão no caminho da entrega do crescimento da startup. 

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