Securitizadoras ajudam setor imobiliário a passar pela crise

Com recursos captados com investidores para financiar projetos, construtoras, incorporadoras, loteadoras e multipropriedades ganham fôlego extra

Embora tenha sido considerado pelo governo federal uma das atividades essenciais para o país em meio à pandemia do coronavírus, o setor de construção civil está longe de passar incólume pela crise. Um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em março deste ano aponta uma queda acentuada no nível de atividade da indústria da construção, assim como no número de empregos. O acesso ao crédito também se tornou mais difícil no primeiro trimestre deste ano.

Em meio a esse cenário tão desafiador, as securitizadoras assumem um papel importante ao conectar empreendedores do setor imobiliário em busca de recursos para a construção de resorts, shopping centers ou loteamentos, por exemplo, e investidores dispostos a financiar esses projetos em troca de juros mensais. Uma dessas empresas é a Fortesec. Fundada há cinco anos por executivos do mercado financeiro, ela foi a primeira securitizadora brasileira a ter a qualidade de serviços avaliada pela Moody’s — agência americana de classificação de crédito. A empresa tem a expertise de transformar a carteira de recebíveis do projeto em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), papéis vendidos no mercado de capitais como títulos de renda fixa. “Os bancos ofereciam produtos de prateleira, que nem sempre atendiam às necessidades específicas dos empreendedores. Foi aí que enxergamos, no atendimento personalizado, uma oportunidade de negócio”, explica Rodrigo Ribeiro, sócio-diretor de gestão e controladoria da Fortesec. “Nosso objetivo é resolver a vida do empreendedor com transparência, proximidade e flexibilidade.”

Com mais de 3 bilhões de reais de títulos emitidos nos últimos cinco anos, a empresa já assumiu a gestão dos créditos de 108 empreendimentos — a maior parte deles em setores desassistidos pelos bancos, como loteamentos e multipropriedades (hotéis comercializados em forma de cotas que dão, além do direito de uso, a matrícula da propriedade). “Nosso perfil de investidor está habituado às oscilações típicas de crises e continua adquirindo novos CRIs”, garante Juliana Mello, sócia-diretora de novos negócios e distribuição da Fortesec. Segundo ela, entre as vantagens do CRI está o que o mercado chama de “integralizações trancheadas.” Na prática, isso significa que o empreendedor recebe o recurso aos poucos, conforme o andamento da obra. “Esse é um diferencial importante, pois garante que ele pague juros somente sobre o montante disponibilizado”, explica a executiva.

Mesmo diante da pandemia, a Fortesec captou e integralizou recursos para 24 operações no primeiro quadrimestre deste ano, somando 539 milhões de reais, ante 16 operações no mesmo período do ano passado, quando a movimentação foi de 132,27 milhões de reais. “Neste momento, as companhias precisam de capital de giro e de um fluxo que acompanhe o ritmo de cada empreendimento e de suas obras. Os recebíveis, portanto, ajudam essas empresas a evitar demissões e a seguir em frente, cumprindo com suas obrigações”, conclui Juliana.

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