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Por que o Google vendeu a Motorola por um quarto do preço

Gigante de busca comprou a unidade de celulares fabricante por US$ 11,5 bilhões, em 2011, e vendeu por menos de US$ 3 bilhões ontem. Entenda os motivos

A Motorola tem três coisas que podem interessar ao Google: patentes, um negócio de celulares e outro de modems e decodificadores de TV a cabo  (Montagem com imagens de divulgação)

A Motorola tem três coisas que podem interessar ao Google: patentes, um negócio de celulares e outro de modems e decodificadores de TV a cabo (Montagem com imagens de divulgação)

Tatiana Vaz

Tatiana Vaz

Publicado em 31 de janeiro de 2014 às 12h47.

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São Paulo – Quando o Google anunciou a compra da unidade de celulares da Motorola por 11,5 bilhões de dólares, em 2011, o mercado de tecnologia entrou em uma nova era de expectativas: estaria o gigante de buscas caminhando para ser uma nova concorrente da Apple?

Hoje, um dia depois do anúncio da venda da empresa para a chinesa Lenovo, já se crê que não, o Google continuará a focar no que entende e faz de melhor: serviços em software. 

A venda por 2,91 bilhões de dólares, menos de um quarto do valor investido, deixa claro que o Google fracassou na tentativa de entrar no segmento de hardware de olho na concorrência com as maiores do setor, Apple, Microsoft e Samsung.

Isso porque, com a compra da Motorola, o Google levou para casa uma série de patentes de telefonia e comunicações que eram da empresa adquirida. E um poderio de contatos com operadoras na América Latina e Estados Unidos capazes de fazer com que o gigante de buscas conquistasse o “mundo” também na área de aparelhos de telefonia Android.

Por outro lado, o Google também teve de adquirir a dificuldade de lidar com a fabricação e criação de produtos, uma habilidade muito mais custosa e demorada que a de criação e venda de software. Fazer hardware envolve fornecedores, suporte técnico, garantias, logística... todo um aparato bem distante do mundo de serviços que o Google lidera.

Ainda que o gigante de buscas tenha ficado com as patentes da marca de celulares, o que teoricamente compensaria o negócio inicial, a Motorola não rendeu lucros ao Google. Em 2013, a empresa de celulares teve prejuízo de 928 milhões de dólares, ante os 616 milhões perdidos em 2012.

Já para a Lenovo, a compra da Motorola abre uma porta de expansão mundial e possível liderança em smartphones, um setor que a companhia domina há anos. Comprar uma empresa forte em um setor e dominar o segmento em que ela atua não é novidade para a Lenovo. A companhia é hoje líder em vendas de computadores e notebooks no mundo, passo impulsionado pela compra da divisão de PCs da IBM, em 2005.

Por aqui, a Lenovo manterá as marcas Lenovo e Motorola juntas e a marca CCE deve seguir como a de produtos de baixo custo, de acordo com Yang Yuanqing, executivo-chefe da Lenovo. Resta saber quanto essa mudança, a longo prazo, deve alterar os planos da companhia para o Brasil. 

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