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O Brasil ainda não é um consenso para os investidores globais, afirma Bank of America

De acordo com dados da LAVCA, os investimentos em venture capital no Brasil caíram para US$ 1,8 bilhão

Pedro Pereira, do Bank of America: a taxa de juros nos Estados Unidos desincentiva a alocação de recursos no Brasil e em mercados emergentes (Estúdio Tramma/Divulgação)

Pedro Pereira, do Bank of America: a taxa de juros nos Estados Unidos desincentiva a alocação de recursos no Brasil e em mercados emergentes (Estúdio Tramma/Divulgação)

Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 10 de junho de 2024 às 12h05.

Última atualização em 10 de junho de 2024 às 17h26.

No momento de escassez de recursos pelo mundo e com investidores à espera de uma sinalização do FED (Federal Reserve), o banco central americano, o Brasil ainda não é o primeiro na lista para receber os recursos. Pelo menos, não na avaliação do Bank of America.

“O Brasil ainda é um não consenso para os investidores globais”, afirma Pedro Pereira, líder de investimento em tecnologia para a América Latina do banco americano. O profissional participou de um painel nesta segunda-feira, 10, sobre perspectivas de investimentos na América Latina no VC Day, organizado pela ABVCap, associação que reúne gestores private equity e venture capital.

Apesar de listar atributos do país entre os emergentes, como a capacidade de balancear a dinâmica geopolítica entre China e os EUA, o crescimento das empresas, a ascensão da classe média e o tamanho da população com acesso digital, Pereira considera que há outros temas que pesam contra. 

"Tudo isso faz o Brasil muito interessante. Mas, de outra parte, nós temos o macro, que continua a pesar, especialmente nos Estados Unidos, com a taxa de juros que desincentiva a alocação de recursos em, digamos, classes de ativos mais arriscados no Brasil e em mercados emergentes", afirma. 

De acordo com dados da LAVCA, organização que acompanha o mercado latino-americano, os investimentos em startups caíram quase metade entre 2022 e 2023, de US$ 7,9 bilhões para US$ 4 bilhões na região. O Brasil seguiu o mesmo ritmo, terminando o ano passado com US$ 1,8 bilhão após registrar US$ 3,1 bilhões em 2022.

Este cenário de capital escasso tem transformado a dinâmica das negociações, com investidores procurando estabelecer novos modelos com fundos e startups. “Eles estão buscando criar essa camada adicional de proteção contra desvantagens. Ou seja, estão muito focados na estrutura de capital, à medida que aumentam a participação em venture capital hoje”, diz Pereira.

Para o JP Morgan, o Brasil e o México estão lado a lado na perspectiva de potenciais mercados para investidores. O problema é que ao longo de quase 1 ano o volume de capital não aumentou.

“Nós estamos vendo um jogo de um país tirando a participação do outro. Não há dinheiro novo na América Latina. Faz 47 semanas que nós vemos saídas semanais de fundos ativos de mercados emergentes”, diz Emy Shayo Cherman, estrategista de ativos para a América Latina do JP Morgan. 

De acordo com a executiva, o número é um recorde para a região. “Nós nunca tínhamos visto nem metade”. A única exceção hoje são os ETFs, os conhecidos fundos de índice. A mudança, segundo os especialistas, continua a depender dos ventos soprados pelo FED. 

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