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Apresentado por RIACHUELO

Melhores do ESG: Riachuelo leva prêmio ao unir moda, inovação e impacto social

Reconhecida pela EXAME, companhia se destaca em cadeia produtiva integrada, novos materiais e circularidade para transformar a moda brasileira

André Farber, CEO da Riachuelo, ao lado de Lia Rizzo, da EXAME, na entrega do Melhores do ESG 2026: empresa foi eleita a melhor da categoria Vestuário (RIACHUELO/Divulgação)

André Farber, CEO da Riachuelo, ao lado de Lia Rizzo, da EXAME, na entrega do Melhores do ESG 2026: empresa foi eleita a melhor da categoria Vestuário (RIACHUELO/Divulgação)

EXAME Solutions
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Publicado em 1 de junho de 2026 às 14h38.

Última atualização em 2 de junho de 2026 às 15h42.

Alinhar discurso e operação de forma consistente é um desafio para qualquer empresa. Mas foi justamente essa coerência que levou a Riachuelo ao topo da categoria Vestuário no Prêmio Melhores do ESG 2026, realizado na última terça-feira, em São Paulo.

O reconhecimento destaca uma estratégia que vem transformando a sustentabilidade em parte estrutural do negócio — da fábrica às coleções, passando pelo desenvolvimento regional e pela conscientização do consumidor.

“Receber o reconhecimento da EXAME nos orgulha porque valida o que defendemos há 78 anos: a força transformadora da indústria nacional e o quanto nossa origem está conectada ao impacto positivo”, afirma André Farber, CEO da companhia.

Segundo Taciana Abreu, diretora de sustentabilidade da Riachuelo, o prêmio também simboliza o amadurecimento de uma operação que vem sendo construída há décadas.

“Durante muitos anos, o setor questionou o fato de termos uma cadeia integrada tão robusta. Hoje entendemos que esse grande ativo é justamente o que nos torna únicos. Ter uma cadeia integrada é um privilégio e faz parte da forma como diferenciamos nossa moda”, afirma.

"Para a Riachuelo, a sustentabilidade não é um acessório, mas sim o alicerce de um modelo que integra indústria, varejo e desenvolvimento social"André Farber, CEO da Riachuelo

Cadeia integrada como diferencial competitivo

Considerado o maior parque fabril da América Latina, o complexo da companhia em Natal (RN) responde por cerca de 40 milhões de peças produzidas por ano e concentra aproximadamente 40% das roupas que chegam às lojas da marca.

“Hoje somos a maior empregadora do Rio Grande do Norte e da moda no país, com mais de 33 mil pessoas costurando a moda em que acreditamos todos os dias”, destaca Farber.

Complexo da Riachuelo em Natal (RN): 40 milhões de peças produzidas por ano (RIACHUELO/Divulgação)

A operação reúne investimentos em tecnologia, produtividade e ecoeficiência, incluindo processos que reduziram em até 60% o consumo de água e de produtos químicos na lavanderia de jeans.

Em 2025, a empresa investiu R$ 1,6 milhão em ecoeficiência e atingiu 86% de uso de matérias-primas mais sustentáveis, com destaque para o algodão agroecológico e o avanço das fibras recicladas. Também reduziu em 39% a compra de poliéster.

A sustentabilidade, diz o CEO da varejista, deixou de ser uma agenda paralela para se tornar parte do modelo operacional da companhia. “Para a Riachuelo, a sustentabilidade não é um acessório, mas sim o alicerce de um modelo que integra indústria, varejo e desenvolvimento social. Acreditamos que a moda pode ser, simultaneamente, sinônimo de inovação, criatividade e impacto positivo.”

Taciana Abreu concorda e ressalta ainda que a companhia passou os últimos anos aperfeiçoando uma estrutura que agora ganha mais escala e visibilidade. “O André (Farber) foi muito feliz ao olhar para toda essa operação e entender como potencializar cada parte dela. Hoje conseguimos ampliar o impacto econômico e social em profundidade e dar mais luz a essa estrutura”, afirma.

Do sertão para as lojas

Parte relevante dessa estratégia passa pelo Instituto Riachuelo, que conecta a operação a iniciativas como o Pró-Sertão e o Agro-Sertão. Os programas estruturam oficinas de costura no interior do Rio Grande do Norte e incentivam o cultivo de algodão agroecológico, beneficiando mais de 4 mil famílias em 46 cidades.

Nos últimos cinco anos, o instituto investiu cerca de R$ 10 milhões nas iniciativas. Paralelamente, a fábrica movimentou mais de R$ 500 milhões em compras da cadeia produtiva local — média de R$ 100 milhões por ano.

Os indicadores socioeconômicos ajudam a dimensionar esse impacto. Dados levantados a partir das iniciativas Pró-Sertão e Agro-Sertão mostram evolução consistente em emprego, renda e atividade econômica nos municípios envolvidos ao longo da última década.

Entre 2011 e 2021, as cidades atendidas pelo Pró-Sertão registraram crescimento de 78% no salário médio — avanço acima da média nacional no período.

Pró-Sertão e Agro-Sertão: entre 2011 e 2021, as cidades atendidas pelos programas registraram crescimento de 78% no salário médio — avanço acima da média nacional no período. (RIACHUELO/Divulgação)

O PIB dos municípios participantes praticamente dobrou no intervalo, saltando de R$ 8 bilhões para R$ 15 bilhões. Já os empregos formais mantiveram trajetória de crescimento mesmo em períodos de retração da indústria têxtil em outras regiões do país.

“Uma coisa é mostrar o impacto em milhares de famílias. Outra é observar o aumento da renda da comunidade local e o crescimento do PIB per capita da região. É isso que realmente transforma vidas”, diz Abreu.

A executiva destaca ainda o papel da Riachuelo como plataforma de transformação social. “Quando olhamos para tudo o que conseguimos fazer na fábrica, no instituto e, principalmente, no Nordeste — uma região tão rica em diversidade e no bioma da Caatinga — percebemos o potencial enorme que temos de gerar transformação.”

Esse trabalho também começa a chegar de maneira mais visível ao consumidor. Em 2025, a companhia lançou camisetas produzidas com algodão 100% agroecológico e tingimento natural.

Moda sustentável: Riachuelo lançou camisetas produzidas com algodão 100% agroecológico e tingimento natural (RIACHUELO/Divulgação)

A empresa também ampliou a linha Pool Loop, voltada à circularidade, com uso de algodão reciclado e inovações como o elastano derivado de cana-de-açúcar — tecnologia inédita no varejo brasileiro.

A fibra, composta majoritariamente por fonte renovável, passou a integrar coleções da marca em iniciativas voltadas à redução da dependência de insumos fósseis e ao desenvolvimento de novas soluções têxteis.

"O consumidor quer acesso à moda, mas também quer mais propósito, autenticidade e acessibilidade."Taciana

Inovação chega à arara

Se a retaguarda industrial sustenta a estratégia ESG da companhia, é nas lojas que essa transformação começa a ganhar visibilidade para o consumidor.

Nos últimos anos, a Riachuelo acelerou o lançamento de produtos desenvolvidos a partir de novas matérias-primas, processos de menor impacto ambiental e soluções ainda pouco exploradas pelo varejo brasileiro.

“Conseguimos unir uma retaguarda industrial potente, com produtividade e redução de impacto ambiental, a produtos inovadores em loja. Queremos que o consumidor perceba essa inovação”, afirma Abreu.

Segundo ela, um dos diferenciais da companhia está justamente na capacidade de combinar escala industrial com inovação em produto — algo ainda raro no varejo de moda nacional.

A executiva destaca que essa integração permite acelerar testes e ganhos de escala em soluções que normalmente surgem apenas em projetos-piloto ou em marcas de nicho.

Circularidade e nova relação com o consumo

A companhia também vem investindo em iniciativas de circularidade para responder às transformações no comportamento do consumidor, especialmente entre os mais jovens.

Hoje, a rede possui coletores de roupas usadas em mais de 200 lojas pelo país. As peças arrecadadas podem ser doadas ou recicladas, evitando o descarte em aterros e no meio ambiente.

A partir dessa estrutura, a empresa começou a testar projetos de upcycling e reaproveitamento têxtil em um piloto com direção criativa de Marcelo Sommer.

"Sabemos fazer roupa há décadas. Agora estamos aprendendo a fazer roupa a partir de roupa. É um laboratório importante para conseguirmos ganhar escala no upcycling no futuro."Taciana

Segundo ela, pesquisas da companhia mostram que temas como second hand, upcycling e circularidade têm forte conexão com a geração Z, mas já começam a influenciar consumidores de outras faixas etárias. “Existe uma transformação importante no consumo de moda. O consumidor quer acesso à moda, mas também quer mais propósito, autenticidade e acessibilidade.”

O desafio climático da indústria

Apesar dos avanços, a companhia reconhece que o maior desafio da moda ainda está ligado à descarbonização da cadeia produtiva.

Segundo Taciana Abreu, a transição energética — especialmente a térmica — será decisiva para acelerar a redução de emissões no setor.

“O Brasil avançou muito em matriz elétrica limpa, mas a indústria da moda ainda depende de sistemas térmicos intensivos, como caldeiras e aquecimento de água para tinturaria. Conseguimos avançar dentro da fábrica, mas precisamos que toda a cadeia acompanhe esse movimento”, afirma.

Por fim, Farber afirma que a companhia vem consolidando um modelo no qual critérios ESG orientam decisões industriais, comerciais e territoriais em larga escala. “Acreditamos que a moda pode ser sinônimo de inovação, criatividade e impacto positivo, não como uma agenda paralela, mas por meio da forma como produzimos e do impacto real que geramos.”

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