Negócios

Japão fabrica primeiro jato comercial em meio século

Neste sábado, a Mitsubishi Aircraft lançou o primeiro jato comercial japonês em meio século. O plano é vender mais de 2 mil unidades mundialmente


	Mitsubishi Regional Jet: primeiro modelo foi apresentado neste sábado
 (Divulgação/Mitsubishi Aircraft)

Mitsubishi Regional Jet: primeiro modelo foi apresentado neste sábado (Divulgação/Mitsubishi Aircraft)

DR

Da Redação

Publicado em 18 de outubro de 2014 às 12h55.

NAGOIA - Ao som de tambores e um coral de crianças, a Mitsubishi Aircraft lançou neste sábado o primeiro jato comercial do Japão em meio século, com plano de vender mais de 2 mil aeronaves num mercado altamente competitivo.

Desenvolvido por uma subsidiária da Mitsubishi Heavy Industries tem a Toyota como acionista, o jato regional de 42 milhões de dólares, com menos de 100 assentos, é o segundo lance do Japão para entrar no mercado de aviões comerciais.

"Este tem sido um sonho de longa data que todo o Japão esperou", disse o presidente da Mitsubishi Heavy, Hideaki Omiya, numa fábrica em Nagoya, o local do lançamento, há 75 anos, do protótipo de um avião de combate da Segunda Guerra Mundial.

A cerimônia começa uma corrida para completar os testes de vôo antes da primeira entrega da aeronave em junho de 2017 para a ANA Holdings. A meta já está três anos atrasada em relação ao inicialmente planejado.

O Japão falhou em sua última tentativa de entrar no mercado de aviões comerciais em 1960, com um turboélice de 64 lugares apelidado o YS-11. Apenas 182 aviões construído por um consórcio que incluiu Mitsubishi Heavy já foram feitas.

Agora, a Mitsubishi já tem 191 pedidos firmes de clientes incluindo US grupos regionais Trans States Holdings e SkyWest , e Japan Airlines.

Analistas dizem que o número é menor do que as centenas de aviões que precisa vender para chegar ao lucro e muito atrás do que precisa para competir com a líder de mercado, a brasileira Embraer.

O maior argumento de venda do MRJ, diz a Mitsubishi, é sua capacidade de usar um quinto a menos de combustível do que aviões de tamanho similar, graças a motores de nova geração da Pratt & Whitney, subsidiária da United Technologies.

O orçamento para desenvolvimento é de cerca de 1,8 bilhão dólares e inclui custos dos atrasos até agora.

Mitsubishi, que também quer desafiar a canadense Bombardier, estima demanda por 5 mil jatos regionais nos próximos 20 anos, dos quais pretende capturar metade. O problema da Mitsubishi é o volume acima de mil encomendas de aviões da Embraer, junto com uma reputação estabelecida de financiamento, confiabilidade e serviço pós-venda, disse Richard Aboulafia, vice-presidente de análise da consultoria Teal Group.

Após o MRJ entrar em cena, a Embraer disse que vai atualizar seu E-Jets com os mesmos motores Pratt & Whitney eficientes sob o nome E2, e serão entregues a partir de 2018 um ano após o MRJ.

A Mitsubishi tem mais chance de deslocar Bombardier, que tem grande aposta no desenvolvimento de suas CSeries para entrar no mercado de aeronaves de 150 lugares à custa de seus jatos regionais CRJ, disse Aboulafia.

Competências obtidas no programa YS-11 levaram a Mitsubishi Heavy e outras empresas a forjar laços com a Boeing, passo importante para o retorno de uma indústria desmantelada durante a ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEmpresas brasileirasSetor de transporteEmpresas japonesasPaíses ricosÁsiaAviaçãoMontadorasJapãoMitsubishiToyota

Mais de Negócios

Como um sapateiro do interior gaúcho criou uma marca de luxo espalhada pelo mundo

Novo instituto de treinamento aposta na cirurgia robótica e mira R$ 3 milhões

Do Minha Casa Minha Vida ao luxo: ele construiu um império imobiliário de R$ 3 bi no Nordeste

Amigos criam clube de beleza que fatura R$ 34 mi e tem parceria com Boca Rosa