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Inovar sem novo modelo de negócios é receita para o fracasso

Para Alexander Osterwalder, coautor do best seller mundial "Business Model Generation, esse foi o erro que custou o "desaparecimento" da Kodak


	Osterwalder: montar um plano de negócios para novas ideias "é a melhor forma de perder tempo"
 (Luiz Prado/Sebrae)

Osterwalder: montar um plano de negócios para novas ideias "é a melhor forma de perder tempo" (Luiz Prado/Sebrae)

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Luísa Melo

6 de novembro de 2014, 11h12

São Paulo - Para Alexander Osterwalder, coautor do best seller mundial "Business Model Generation", de nada adianta uma empresa criar produtos e serviços se ela não souber como montar novos modelos de negócio.

Na visão dele, esse foi o erro da Kodak, companhia que chegou a ter milhares funcionários e depois "desapareceu". "A Kodak criou a primeira câmera digital. Eles sabiam inovar, mas saíram do mercado porque não conseguiram montar um modelo de negócios para o século XXI", disse na HSM Expomanagement, nesta quarta-feira, em São Paulo.

Segundo Osterwalder, é preciso ir além da inovação em tecnologia. Dedicar parte dos recursos para projeto e desenvolvimento (P&D) à criação de novas fórmulas de se administrar é essencial.

Na hora de transformar uma ideia fresca em uma nova empresa ou atividade, montar um plano de negócios "é a melhor forma de perder tempo", nas palavras do especialista.

Esse tipo de planejamento, de acordo com ele, funciona bem na execução de projetos que já foram experimentados, mas "maximiza o risco de fracasso" para propostas novas.

Como fazer

"Colocar uma inovação em prática não é um processo linear. É caótico. É preciso avançar, ver o que não deu certo, voltar algumas casas e caminhar de novo", disse Osterwalder.

De acordo com o pensador, a ferramenta Canvas, criada por ele, possibilita a visualização, teste e reinvenção de novos modelos de negócio sem gastar muito dinheiro.

Basicamente, a Canvas indica como gerar valor para a nova empresa ou serviço que será criada. Isso é feito por meio de uma série de questionamentos como: quem serão os nossos consumidores? Para quem criaremos valor? Quem nos ajudará a atingir esse público? Que tipo de relacionamento vamos estabelecer com eles? Como vamos ganhar dinheiro com isso? O que precisamos para esse modelo? O que vamos fazer para atingir esse objetivo? Com que parceiros vamos trabalhar?

Além de responder a essas perguntas, é preciso pensar no que os clientes querem realizar e no que eles esperam dessa organização.

Depois de tudo isso, o próximo passo, segundo Osterwalder, é criar protótipos simples e baratos, que se possa jogar fora. Em seguida, é necessário testar esses exemplares.

"A maioria das empresas não dá certo porque constroem coisas que ninguém quer. Foi o que aconteceu com a FLO TV [serviço de televisão móvel da Qualcomm], que foi fechada em 2011, apenas um ano após seu lançamento. Eles perderam 1,6 bilhões de dólares porque não testaram antes", disse.

Osterwalder recomenda que as ideias já consolidas sejam testadas de uma forma bem simples. Ele propõe sugerir a ideia para 40 potenciais clientes e checar se eles aprovam ou não.

Depois, pode-se oferecer a eles um link com informações completares sobre a ideia. Segundo Osterwalder, o número de pessoas que clicarem no link indica as que realmente se interessariam pela proposta.

"E quando você tiver a prova de que tudo isso funcionou, aí sim faz um modelo de negócios", explicou. "O grande desafio, em empresas já estabelecidas é montar esse tipo de sistema operacional e ao mesmo tempo executar o que traz o seu lucro no presente", completou.