Negócios

Hapvida: números indicam se empresa já superou a covid

Operadora teve queda no lucro e aumento da sinistralidade no trimestre anterior; cenário é desafiador, com avanço de concorrentes

Hapvida: operadora divulga resultados do quarto trimestre (Leandro Fonseca/Exame)

Hapvida: operadora divulga resultados do quarto trimestre (Leandro Fonseca/Exame)

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Mariana Desidério

23 de março de 2022, 06h00

A operadora de planos de saúde Hapvida divulga os resultados do quarto trimestre de 2021 nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado. A companhia apresentou alta na sinistralidade e queda na receita no trimestre anterior, devido aos impactos da covid-19. Os números do quarto trimestre vão indicar se a tendência já mudou.

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No terceiro trimestre de 2021, a Hapvida teve lucro líquido de 43,7 milhões de reais, uma queda de 82,4% em comparação com o mesmo período de 2020. Enquanto o lucro caiu, a sinistralidade da operadora subiu: foi de 60,4% em 2020 para 72,3% em 2021. A piora nos resultados se justificam pelo aumento dos gastos com pacientes, devido à segunda onda da pandemia.

Agora, os números devem refletir a redução no número de casos de covid do final do ano passado, e já se espera que isso traga alguma recuperação para a Hapvida, tanto em lucro quanto em sinistralidade.

Ainda assim, o cenário para a empresa não é simples. O setor de saúde suplementar vive uma redução no ritmo de adesões aos planos de saúde, que se explica pelo cenário macroeconômico, com inflação e alto desemprego.

Em relatório do início do mês, o BTG Pactual citou dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) que mostram que os planos da Hapvida perderam 29 mil beneficiários em janeiro de 2022, enquanto os da Notredame Intermédica perderam 33 mil vidas. Ainda assim, os analistas do banco se dizem confiantes nos ganhos de escala gerados pela fusão de Hapvida com a Notredame, e com a eficiência do modelo de planos de saúde verticalizados.

Anunciada no ano passado, a fusão entre as duas gigantes do setor foi concluída em fevereiro, após aval do Cade, resultando em uma empresa de 15 milhões de beneficiários, 60 mil colaboradores e 7 mil leitos.

Se o cenário macroeconômico não ajudar a Hapvida a crescer, as sinergias com a Notredame o farão. O avanço rápido da integração entre as companhias ganhou mais um impulso no mês passado, quando a empresa de hospitais Rede D’Or anunciou a compra da operadora de planos de saúde Sulamérica. O negócio ainda precisa passar pelo Cade, mas é uma movimentação que pode tornar mais difícil o avanço da Hapvida em um segmento de mercado mais premium.

Os números divulgados hoje ajudam a entender o tamanho do desafio e das oportunidades para a Hapvida.