Negócios

Essa empresa vende energia solar por assinatura. Agora, capta R$ 144 milhões para novas usinas

O plano de investimento até 2025 é de 1,5 bilhão de reais; serão 96 usinas em cinco Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste

Usina da AXS Energia: usina Paulo Valias, de Minas Gerais, é uma das que já está pronta entre as 96 que a empresa pretende ter em operação até 2025 (AXS Energia/Divulgação)

Usina da AXS Energia: usina Paulo Valias, de Minas Gerais, é uma das que já está pronta entre as 96 que a empresa pretende ter em operação até 2025 (AXS Energia/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 24 de julho de 2023 às 09h46.

Última atualização em 3 de agosto de 2023 às 16h55.

O boom da energia solar nos últimos anos gerou novas oportunidades de negócios, mesmo para empresas tradicionais do setor. O Grupo Roca, por exemplo, que acumula mais de 40 anos de experiência no setor elétrico nos estados de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, São Paulo e Goiás, tem investido em geração renovável. 

Uma de suas apostas é a AXS, criada em 2021 e que vende geração de energia solar por assinatura. Funciona assim: o cliente contrata o negócio e se torna beneficiário de uma parcela das usinas construídas pela empresa. Depois, a energia gerada pela cota será convertida em créditos que serão abatidos na conta de luz de quem assinou pelo serviço.

“A ideia da AXS é dar oportunidade para pequenas empresas e residências usarem energia solar sem instalar equipamentos”, diz o CEO da AXS Energia, Rodolfo Pinto. “Elas substituem o pagamento da tarifa da conta de luz pela mensalidade do serviço. É como um consórcio de energia”.

O objetivo da AXS é ter 96 usinas funcionando para esse serviço até 2025. Para isso, precisa investir 1,5 bilhão de reais. Desse montante, 800 milhões de reais já serão aportados até o final de 2023. A empresa está fazendo rodadas de captação de recursos para esses investimentos. A mais recente acabou de ser concluída e arrecadou 144 milhões de reais por meio de certificados de recebíveis, os CRIs. Outros 450 milhões de reais foram aportados pela controladora da empresa. 

Como funciona a assinatura de energia

Essa modalidade funciona como um consórcio de energia. Ao contratar a AXS, o cliente se torna beneficiário de uma parcela das usinas construídas. A energia produzida nessa parcela é convertida em créditos para serem abatidos na conta de luz. A porcentagem da usina que cada cliente recebe é definida com base na média de consumo dos últimos 12 meses. 

O pagamento da mensalidade é com um valor fixo, conforme o tamanho da cota. A distribuidora de energia local segue como responsável pela entrega de energia. Assim, se por algum motivo a pessoa consumir mais energia do que geração de cota, a concessionária complementa o fornecimento. 

Uma questão a ser superada é o fato de que a usina precisa estar conectada na rede da concessionária do cliente. Isso é um desafio, pois limita a quantidade de clientes que podem usar o serviço. Uma usina em Minas Gerais, por exemplo, só poderá ser usada por clientes da concessionária do Estado.

A venda aos clientes é feita por uma plataforma na internet ou com representantes comerciais. 

Em um caso hipotético: se a conta de luz de uma pessoa é de cerca de 200 reais por mês, a AXS faz o cálculo para entender qual a porcentagem que esse cliente precisa da usina para cobrir esse valor. Se em um mês ele consome menos energia, esse valor vira crédito para quando consumir mais de 200 reais.

Em que será usado o aporte

Esse novo aporte de 144 milhões de reais será usado para ajudar no plano de construir 96 usinas de energia solar até 2025. Elas serão construídas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Paraná. 

  • Em 2022, o grupo já tinha captado 261 milhões de reais por meio de recebíveis imobiliários e ofertas públicas de debêntures. 

Das 96 usinas, um terço já está pronta ou em construção para funcionar até o final do ano.

Quais os planos futuros da AXS Energia

Para o futuro, a AXS está apostando na mudança da lei do mercado livre de energia — onde a eletricidade é negociada diretamente entre o gerador e o consumidor, sem intermediação da concessionária. A partir de 2024, uma nova gama de consumidores poderá usar essa modalidade, ampliando o leque principalmente para usuários de média tensão. 

“É uma classe que está presa na concessionária e que, a partir do ano que vem, poderá comprar do mercado livre”, diz Pinto. “Isso vai possibilitar lançarmos mais produtos além do modelo que já temos, de consórcio”.

Acompanhe tudo sobre:EnergiaEnergia solar

Mais de Negócios

Novo imposto pode tornar carros mais caros – e atrasar renovação da frota, diz Anfavea

Startup simplifica cálculo de impacto ambiental das empresas

Em sete dias, Senior Sistemas faz segunda aquisição e paga R$ 29 milhões pela Hypnobox

Frente a mudanças na moda brasileira, Shop2gether investe R$ 40 mi para ampliar opções masculinas

Mais na Exame