Negócios
Acompanhe:

Empreendedora de Goiás cobra R$ 35 mil por palestra — e ganha milhões ensinando isso a outros

Tathiane Deândhela é fundadora do Instituto Deândhela, de formação de palestrantes; expectativa é faturar R$ 10 milhões em 2022

 (Instituto Deândhela/Divulgação)

(Instituto Deândhela/Divulgação)

M
Maria Clara Dias

20 de outubro de 2022, 17h00

Por trás de cada grande grande líder está a consciência de que sucesso e dialética andam lado a lado. Essa máxima levou a empreendedora goiana Tathiane Deândhela a apostar no poder da comunicação como principal fonte de renda ao trabalhar como palestrante e, anos depois, fundar uma empresa de formação de outros palestrantes que hoje fatura R$ 5 milhões.

A paixão pela comunicação começou, a priori, como uma maneira de driblar a timidez. Ainda criança, Deândhela já entendia que seu sucesso estaria vinculado à capacidade de transmitir mensagens com muita nitidez e tranquilidade. Essa percepção se tornou ainda mais forte depois que passou a trabalhar como vendedora, aos 23 anos de idade.

Assine a EMPREENDA e receba, gratuitamente, uma série de conteúdos que vão te ajudar a impulsionar o seu negócio.

Qual é a história da empreendedora

Na adolescência, Deândhela conciliava os estudos e o trabalho liberal, da venda de bichinhos de balão, bijuterias, empréstimo consignado e colchões ao marketing multinível e outras milhares de coisas. As tentativas empreendedoras eram, em parte, uma tentativa de mudar a realidade da família. Com a morte do pai, aos 11 anos, ela passou a apostar em seu talento como vendedora para ajudar na renda de sua mãe, única a sustentar as despesas da casa.

Aos 23 anos, depois de alguns cursos de oratória para superar a timidez, a empreendedora entrou passou a vender cursos de MBA, uma especialização que cumpre o papel de uma pós-graduação executiva, para uma rede de educação superior.

Lá, começou como vendedora e foi ascendendo a outros cargos ligados à liderança graças ao bom desempenho nas vendas. Recebeu, inclusive, o convite para se tornar franqueada da marca e professora em cursos do MBA que ela mesma comercializava.

A entrada na carreira de professora, porém, foi uma aposta arriscada, já que ela não tinha experiência em lecionar, ainda que comunicação fosse seu ponto forte como vendedora. “Percebi que ensinar era uma coisa incrível, mas fui crescendo e acumulando funções.. trabalhava 15 horas por dia. Era hora de pensar em outros caminhos”, conta.

Ao chegar em SP, empreendedora nordestina foi humilhada. Hoje, comanda empresa de R$ 100 milhões

Quando começaram as palestras

Se de um lado as longas jornadas de trabalho e a liderança de múltiplos times causavam certa fadiga, de outro contribuíram para que Deândhela fosse convidada por empresas para ministrar pequenos cursos sobre produtividade e sucesso em vendas. Neste momento, passou a palestrar e dar treinamentos para grandes empresas como Banco do Brasil, Sicredi, Sicoob e Unilever, além de redes de franquia, indústrias e shopping centers.

Depois de um desentendimento com o dono da faculdade, em 2014, Deândhela decidiu abrir mão de suas duas unidades franqueadas da rede, uma em Fortaleza (CE) e outra em Teresina (PI), e então empreender no segmento de palestras.

O primeiro passo foi desenvolver um método de ensino próprio, direcionado a empresas que buscam melhorar a  produtividade de seus funcionários, e empacotar isso como um produto para essas companhias.

Ela então investiu cerca de R$ 1 milhão, todo seu patrimônio conquistado durante a carreira corporativa, para fundar seu próprio negócio, o Instituto Deândhela, dedicado a formar palestrantes que também desejam discursar e dar treinamentos para empresas e participar de grandes eventos.

Os primeiros dois anos foram bem complicados, principalmente porque a venda de palestras e cursos voltados à produtividade não bancavam os custos da empresa. Além disso, a inexperiência com gestão levaram a companhia à beira da falência.

“O jogo de empreender não é o mesmo de ser executiva. Eu sabia ser executiva bem-sucedida, mas não alguém que lida com contabilidade, fluxo de caixa e liderança”, lembra. “Me via famosa no meu ramo, mas sem dinheiro e sem controle, sem gestão”.

Para dar conta das despesas, ela vendeu o carro da família e pegou um empréstimo de R$ 100 mil reais.

A entrada no digital

Superar o prejuízo financeiro dependeu do fim da terceirização de alguns processos. Deândhela percebeu que deveria conhecer todas as pontas do negócio, ainda que não fosse a responsável direta por áreas operacionais como contabilidade, marketing e recursos humanos. “Um empreendedor precisa conhecer tudo sobre o negócio, assim ele entende o que é certo e errado, sem precisar de alguém para dizer isso”, diz.

Além do aprendizado em gestão, a incursão no ambiente digital também ajudou a tirar a empresa do buraco.  Em 2019, o Instituto passou a gravar as aulas em uma plataforma digital, o que permitiu a entrada de novos alunos em larga escala, e de todo o mundo.

Atualmente, a empresa conta com mais de 3.000 alunos e uma receita de R$ 5 milhões, sendo 10% desse valor resultado somente das palestras que a própria empreendedora continua fazendo. “Hoje posso cobrar R$ 35 mil reais por palestra com tranquilidade”, diz.

Sobre o que são as palestras

De acordo com Deândhela, o foco das palestras está em todo tipo de tema voltado ao aumento do lucro das empresas. Na lista estão assuntos como:

  • Como ajudar colaboradores a baterem metas
  • Vendas - como encontrar e formar bons vendedores
  • Liderança - apagão na liderança, como formar novos líderes
  • Produtividade: como otimizar o tempo e render mais
  • Inteligência emocional: gestão das emoções e controle emocional, uma mistura de psicologia positiva e neurociência
  • Perspectivas para o mercado de trabalho do futuro

O Instituto Deândhela hoje conta com 23 funcionários, e esperar dobrar esse número no próximo ano. A expectativa da empresa é faturar R$ 10 milhões em 2022. “O mercado de palestras sempre foi e continua sendo aquecido, e não há espaço para amadores. Por isso é uma oportunidade gigante”, diz.

LEIA TAMBÉM

Ele já fez bico num lava-jato. Hoje, ergue imóveis de luxo na Bahia e tem R$ 1,5 bilhão em terrenos

Primeira da família a concluir os estudos, imigrante mexicana fundou empresa de US$ 2 bilhões