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Eles faturam milhões com câmeras nas ruas — e quem usa nem sempre é cliente

A paulistana CoSecurity cobra de prédios e comércios por torres de vigilância voltadas para as ruas para mantê-las mais seguras. Hoje a empresa tem 10 mil câmeras ativas e quer dobrar esse número neste ano

Chen Gilad e Luciano Caruso, da CoSecurity: Equipamentos em vias públicas em vez de sistemas de vigilância no interior de condomínios, lojas ou empresas (Divulgação/Divulgação)

Chen Gilad e Luciano Caruso, da CoSecurity: Equipamentos em vias públicas em vez de sistemas de vigilância no interior de condomínios, lojas ou empresas (Divulgação/Divulgação)

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11h16.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 11h21.

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Em dezembro de 2025, pesquisa Datafolha revelou que a segurança pública preocupa mais os brasileiros do que a economia, tema que liderava levantamentos anteriores. Para 16% da população, a violência é hoje o problema mais grave do país, atrás apenas da saúde, mencionada por 20% dos entrevistados.

A CoSecurity, do Grupo Haganá, é uma empresa de tecnologia voltada à segurança urbana que conecta câmeras de vigilância instaladas em condomínios residenciais, comerciais e corporativos em uma única rede.  

Criada em 2022, a startup nasceu da parceria entre Chen Gilad e Luciano Caruso. Os dois se conheceram em 2018, quando Caruso assumiu a direção da Haganá Tecnologia. 

Na época, ele levou para a companhia um conceito observado em universidades americanas, mas que precisaria ser adaptado à realidade brasileira.

“Não só o produto, mas a forma de levá-lo ao mercado, de se comunicar e de escalar a operação”, resume Chen, israelense que chegou ao Brasil aos 12 anos.

Engenheiro civil e empreendedor, Chen tem 48 anos. Caruso, 49, é paulista, formado em desenho industrial, e soma mais de três décadas no setor de segurança.

As competências dos dois levaram a solução às ruas e posicionaram a empresa como pioneira no conceito de segurança colaborativa no país.

Segurança pensada para a rua

A atuação da CoSecurity rompe com a lógica tradicional do setor. Em vez de concentrar sistemas de vigilância no interior de condomínios, lojas ou empresas, a companhia direciona seus equipamentos para vias públicas.

Cada totem reúne três câmeras de vigilância, capazes de cobrir 180 graus da via. À medida que novos pontos são instalados, forma-se um circuito contínuo de monitoramento.

Visualmente, a torre também faz diferença, explica Caruso. Segundo ele, totens padronizados ao longo de uma rua indicam que a região está organizada e monitorada de forma conjunta.

“A sensação de segurança é percebida por quem circula ali e também por quem pensa em cometer um crime”, afirma.

Toda a rede está conectada à Central de Providências, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. A central recebe imagens de diferentes pontos e consegue acompanhar, por exemplo, o deslocamento de um suspeito após uma ocorrência.

Esse cruzamento de registros aumenta a capacidade de rastreamento e gera provas que fortalecem investigações e contribuem para a responsabilização dos envolvidos, explicam os fundadores.

Atualmente, a malha está presente na capital paulista, na Grande São Paulo, em Curitiba e no Rio de Janeiro, somando mais de 10 mil câmeras integradas. O sistema também se conecta a iniciativas públicas como o Smart Sampa e a Muralha Paulista.

Central de segurança da CoSecurity: apoio às políticas públicas de combate à violência (Divulgação/Divulgação)

Uso que vai além da criminalidade

Roubos e furtos são ocorrências comuns, mas o alcance do serviço da CoSecurity é mais amplo. A Central de Providências já auxiliou em casos de acidentes de trânsito, identificação de problemas urbanos como buracos nas vias, busca por pessoas desaparecidas, localização de pets perdidos e até recuperação de objetos e dinheiro perdido.

Um dado destacado pelos executivos é que cerca de 90% dos chamados não partem de quem contratou o totem. Isso porque qualquer pessoa que passe pelo local pode acionar o sistema por meio de um QR Code instalado no equipamento, mesmo sem ser cliente.

“Quem contrata acaba contribuindo não só com a própria segurança, mas com a da cidade”, pontua Chen.

Eles dizem, ainda, que a decisão de adesão dificilmente está ligada a um episódio específico vivido por um condomínio ou comércio. Na maioria dos casos, surge da percepção de que a violência é um problema coletivo e exige soluções compartilhadas.

O boom dos totens de segurança

A empresa vem registrando crescimento contínuo, movimento que se refletiu na entrada no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, na categoria de companhias com faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões. Em 2024, a receita líquida alcançou R$ 10 milhões e, nos 12 últimos meses, quase dobrou.

Para 2026, o plano é ampliar a rede das atuais 10 mil para 20 mil câmeras de vigilância instaladas. Pensando mais adiante, em 2027, a expansão deve avançar para novas regiões metropolitanas, ampliando o alcance do modelo de segurança integrada para além dos grandes centros urbanos.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

Acompanhe tudo sobre:Negócios em Expansão 2025

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