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Hoje é o Dia de Sobrecarga da Terra. O que isso significa?

A data é um alerta de emergência: em menos de oito meses, a humanidade esgotou o orçamento da natureza para o ano inteiro

Dia de Sobrecarga da Terra: precisaríamos de 1,7 planeta Terra para compensar o que a humanidade utiliza a mais de recursos (Agência/Getty Images)
GS

Gabriella Sandoval

Publicado em 29 de julho de 2021 às 10h00.

A partir de hoje, 29 de julho, nosso planeta entra no cheque especial. O Dia de Sobrecarga da Terra ( Earth Overshoot Day, em inglês) marca quando a humanidade consome todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar ao longo de um ano.

Ou seja, em 2021, esgotamos o orçamento mais de cinco meses antes do previsto e, de agora até o fim do ano, vamos operar com déficit ecológico. Esse é um dos maiores déficits desde que o mundo entrou em sobrecarga ecológica, no começo da década de 1970.

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E essa é uma dívida que não para de crescer: cada vez o Overshoot Day tem chegado antes. Em 1970, por exemplo, o mundo ficou no vermelho em 29 de dezembro, a dois dias somente do encerramento do ano. Em 2000, já estava no início de outubro. Dez anos depois, no fim de agosto. E neste ano, em julho.

Em 2020, até houve um ganho modesto no calendário, devido às medidas de confinamento e à redução de atividades econômicas na pandemia, mas com vida curta. Agora a data regressa ao patamar alarmante de 2019.

O que impacta a sobrecarga

Os fatores que mais pesaram nessa piora foram o aumento da pegada de carbono de 6,6% em comparação com o ano passado e também a redução de 0,5% na biocapacidade florestal global.

Tudo isso escancara uma conta que está longe de fechar. Hoje, a humanidade utiliza 74% mais de recursos do que a natureza consegue recuperar, o que quer dizer que precisaríamos de 1,7 planeta Terra para manter o atual estilo de vida. Se seguirmos dessa forma, a projeção do Banco Mundial é ainda mais assustadora: em 2050, seriam necessários três planetas.

Como é definida a data?

O cálculo é feito pela Global Footprint Network (GFN), uma organização internacional de pesquisa. Assim como um extrato bancário, ele compara receitas e despesas. Do lado das receitas está a biocapacidade do planeta, que é a quantidade de recursos ecológicos que a Terra é capaz de gerar naquele ano. Nas despesas está a Pegada Ecológica da humanidade, que é a demanda do mundo no período. A instituição mede então quantos dias do ano a biocapacidade é suficiente para suprir a Pegada Ecológica. O restante é o overshoot global.

A GFN esclarece, entretanto, que o Dia da Sobrecarga se trata de uma estimativa, não uma data exata, porque seria impossível determinar com 100% de precisão. E que os ajustes na data ao longo do ano não se devem a avanços ecológicos da população, e sim à revisão dos cálculos ou a mudanças na metodologia usada.

Mas seja qual for o modelo científico adotado, o cenário é o mesmo e consistente: extrapolamos bastante o orçamento e os juros pagos por essa dívida são avassaladores. Por isso, a data é tão importante. É um lembrete de que algo precisa ser feito, agora, para reverter esse quadro. “Vamos colocar o planeta em primeiro lugar e, juntos, #MudarAdata”, convoca a conselheira Susan Aitken, líder da Câmara Municipal de Glasgow, sede da COP26, onde acontecerá neste ano a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.

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