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De ex-condenado a bilionário: como ele construiu uma fortuna de US$ 8 bi vendendo carros usados

Ernest Garcia II é dono da DriveTime, a quarta mais varejista de carros usados, e o maior acionista da Carvana, considerada a Amazon dos carros, nos Estados Unidos

Ernest Garcia II é o maior acionista da Carvana, considerada a "Amazon dos carros", nos Estados Unidos (DriveTime/Divulgação)

Ernest Garcia II é o maior acionista da Carvana, considerada a "Amazon dos carros", nos Estados Unidos (DriveTime/Divulgação)

Marcos Bonfim
Marcos Bonfim

Repórter de Negócios

Publicado em 13 de abril de 2024 às 11h00.

Última atualização em 16 de abril de 2024 às 14h01.

A história do americano Ernest Garcia II ainda não virou filme ou série, mas isso deve acontecer em algum momento. Vendedor de carros usados, o empresário tem na ficha uma condenação por fraude, amizade com ex-vice-presidente americano e uma volumosa conta bancária. Um personagem e tanto para diretores em busca de um roteiro.

O americano é dono de uma fortuna estimada em US$ 8,3 bilhões e ocupa a posição 278º entre as pessoas mais ricas do mundo. Advogado, Garcia II começou a sua carreira no mercado imobiliário. E foi lá em que obteve a condenação que marcaria a sua história, em 1990, aos 33 anos.

Ele se declarou culpado da acusação de fraude bancária por seu relacionamento com a Lincoln Savings & Loan em 1990, instituição que foi à falência entre o final dos anos 1980.  

À justiça, admitiu ter obtido, de forma fraudulenta, uma linha de crédito de US$ 30 milhões e feito uma série de transações que ajudaram Lincoln a esconder dos agentes reguladores propriedades em terras com risco financeiro no deserto do Arizona. Pela condenação, ficou três anos em liberdade condicional.

Como ele construiu a sua fortuna

No mesmo período, ele migrou para o mercado de carros usados, onde construiu o seu patrimônio nas últimas três décadas.

Para fazer isso, adquiriu a operação da Ugly Duckling, um negócio de aluguel de carros à beira da falência, por menos de US$ 1 milhão. Não conseguiu o esperado “turn around”. O sucesso só veio após fundir a operação com uma financeira e criar um novo modelo de negócio.

Hoje, a DriveTime, o nome surgido em 2002 no processo de mudança, é a quarta maior varejista de carros usados dos Estados Unidos. O diferencial do jogo foi o nicho escolhido: comercializar os automóveis para pessoas que ninguém mais vendia. Isto é, com score ruim e alto risco de inadimplência. Em 1996, a empresa abriu o capital e levantou US$ 170 milhões na Nasdaq. A decisão seria revista anos depois com a recompra dos papéis.

Por anos, Ernest Garcia II ficou longe dos holofotes. Não pode deixar de aparecer, porém, em 2017, à Bolsa de Valores de Nova York para acompanhar o filho Ernest Garcia III tocar o sino no IPO na Carvana, em que arrecadou US$ 250 milhões.

A ocasião foi marcada ainda pela entrada de Dan Quayle, ex-vice-presidente dos Estados Unidos na gestão George H. W. Bush, no conselho do e-commerce. A proximidade entre o político e o Garcia II foi determinante a decisão.

Criada dentro da operação da DriveTime, a startup, descrita como a “Amazon dos carros”, atua como uma plataforma online de venda de carros usados e negocia a cerca de US$ 75 atualmente, bem acima dos US$ 13 da oferta pública. O valor de mercado está em US$ 13,1 bilhões.

Apesar de operações separadas, Garcia II é o principal acionista da empresa comandada pelo filho, que informou uma receita de US$ 10,8 bilhões em 2023. Segundo informações repassadas à bolsa, ele detém cerca de 30% de participação. Na DriveTime, o número chega a 75%. 

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