Cristália investe R$ 1,1 bilhão com foco em expansão internacional

Plano da farmacêutica é reforçar presença na América Latina com a instalação de operações no México, no Peru, na Colômbia e no Chile
Ogari Pacheco, fundador do Laboratório Cristália (Germano Lüders/Exame)
Ogari Pacheco, fundador do Laboratório Cristália (Germano Lüders/Exame)
Por Mariana DesidérioPublicado em 04/03/2022 10:38 | Última atualização em 04/03/2022 10:38Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O laboratório Cristália vai investir 1,1 bilhão de reais na ampliação de sua capacidade produtiva e expansão de sua presença internacional. O plano é reforçar sua presença na América Latina com a instalação de operações no México, no Peru, na Colômbia e no Chile.

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O Cristália já possui uma fábrica na Argentina, dedicada à produção de medicamentos oncológicos, que será ampliada. Do 1,1 bilhão de reais anunciado, 800 milhões de reais serão destinados à operação da empresa no exterior.

O laboratório também está ampliando a capacidade produtiva de suas 13 fábricas no Brasil. A companhia comprou o imóvel de uma antiga fábrica de tecidos em Montes Claros (MG), que está sendo reformada para a instalação de uma nova unidade do laboratório, com investimento de 300 milhões de reais. Está ainda instalando uma nova linha de produção na fábrica de Pouso Alegre, (MG).

O anúncio do investimento bilionário ocorre no mês em que o Cristália completa 50 anos de atividades. O laboratório já exporta para mais de 30 países da América Latina, da África e do Oriente Médio. Agora tem o plano de estruturar filiais próprias pela América Latina. A intenção é ter 10% do faturamento vindo dessa vertente de negócio até 2024.

O Cristália fechou 2021 com faturamento de cerca de 4 bilhões de reais, crescimento de mais de 30% em relação a 2020, quando o faturamento foi de 3 bilhões de reais.

Expandir e inovar

O investimento na presença internacional está em linha com o movimento da indústria farmacêutica nacional, que tem ampliado sua atuação fora do país, visando ganhar escala e acelerar a expansão dos seus negócios. O que abre espaço para que essas empresas invistam mais em inovação e, aos poucos, deixem de depender tanto dos medicamentos genéricos. O assunto foi tema de reportagem recente da revista EXAME.

Cerca de 6% do faturamento da companhia é investido em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Ela tem 14 projetos de inovação, sendo dois em fase pré-clínica e dois em fase clínica (com testes em seres humanos). Também possui 119 patentes no Brasil e no exterior, de 209 pedidos de registro depositados.

O laboratório tem uma forte atuação no segmento de anestésicos e de medicamentos utilizados no chamado kit intubação. Tem ainda uma produção importante de IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos, a matéria-prima dos medicamentos) -- produz 60% dos IFAs que utiliza, enquanto o país importa cerca de 90%.