Dia Mundial da Alimentação: mais de 30% da produção de alimentos globais é perdida ou desperdiçada (Pedro Vilela/Getty Images)
O Dia Mundial da Alimentação, celebrado neste 16 de outubro, reforça o desafio de ampliar a produção mundial de alimentos, de forma a abastecer a crescente população mundial, que deve chegar a 10 bilhões de pessoas até 2050, de maneira cada vez mais sustentável, considerando que existe a necessidade de frear o aquecimento global. É um tema que está na agenda das principais empresas do setor e envolve a transformação dos sistemas alimentares.
Para Marina Grossi, presidente Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), esse processo de profunda transformação dos sistemas alimentares é um requisito indispensável para se alcançar a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
O Brasil, ela pontua, está no centro dessa discussão, por ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, além de ser responsável pela maior floresta tropical do planeta.
Em documento publicado pelo CEBDS este ano, companhias como Danone, JBS e Nestlé se mobilizam e defendem sete ações prioritárias rumo a um fornecimento de alimentos mais sustentável:
É algo que pode ser alcançado com o desenvolvimento de mecanismos de mercado como o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), a regulamentação da política e mercado de pagamento por serviços ambientais (PSA) e mecanismos financeiros, em especial os de créditos sustentáveis (títulos e empréstimos verdes, e outros ligados a metas ESG).
Em particular em relação à agricultura regenerativa, o CEBDS aponta que milhões de hectares de pastagens degradadas podem se tornar grandes ativos socioeconômicos ambientais, e o uso de tecnologias pode recuperar essas áreas.
Seja para introduzir tecnologias virtuais no campo ou disseminar boas práticas de manejo, o setor privado pode fortalecer seus sistemas de assistências técnicas, promovendo a aplicação de novas tecnologias, a rastreabilidade de fornecedores, o cumprimento das legislações e a promoção de boas práticas sanitárias.
Mais de 30% da produção de alimentos globais é perdida ou desperdiçada. Se comparada às emissões de gases de efeito estufa de um país, essa quantia equivaleria ao terceiro maior país emissor no ranking mundial, segundo dados da FAO. É um problema com duas origens distintas: a perda no processo de produção relacionado às etapas pós-colheita, de armazenagem e de transporte, e o desperdício no varejo, serviços de alimentação e consumo doméstico em geral.
O CEBDS destaca que as tecnologias em evolução vêm reduzindo perdas e o impacto ambiental. Um exemplo são as embalagens sustentáveis, que vêm proporcionando segurança de alimentos sem prejudicar o meio ambiente.
A rastreabilidade, que vem sendo adotada por grandes empresas, funciona como principal ferramenta de garantia e transparência da produção sustentável e da legalidade ao longo da cadeia produtiva.
As empresas têm papel fundamental no investimento em tecnologia para monitoramento das suas cadeias de fornecimento e origem de seus produtos. Além disso, o fomento de toda a cadeia de valor por produtos certificados é essencial para que haja uma expansão do mercado de certificação e rastreabilidade, valorizando os produtos produzidos de maneira sustentável e responsável.
Cabe às empresas disponibilizar informações sobre como os sistemas alimentares funcionam, bem como seus impactos. Tais informações podem ser divulgadas nos rótulos dos produtos, nas mídias sociais das empresas e em sites dedicados ao tema.
Parcela relevante da população brasileira vive em situação de insegurança alimentar, e para muitos ainda é caro comer de forma saudável. Uma das demandas das empresas para ampliar esse acesso é a facilitação a linhas de financiamento e crédito para produção e comercialização de alimentos da sociobiodiversidade brasileira, que atendam padrões de saudabilidade e sustentabilidade.
As empresas, por sua vez, possuem responsabilidades como apoiar iniciativas de educação ao longo da cadeia de valor para conscientizar consumidores e fornecedores sobre dietas saudáveis e mais sustentáveis e incluir na estratégia empresarial a adoção de programas para o combate à obesidade, má nutrição e fome, além de realizar a transição gradual da qualidade de ingredientes para opções mais nutritivas, saudáveis e sustentáveis.
Muitas empresas anunciam o compromisso de redução das emissões, mas o CEBDS alerta para a importância de as organizações se basearem em dados científicos para informar sobre suas operações e consequentes impactos.