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Yellen adverte que subsídios chineses à indústria são um risco para a economia mundial

Yellen chegou na quinta-feira à China para a sua segunda visita em menos de um ano, com paradas previstas primeiro na cidade de Guangdong e Pequim

China: Guangdong é a província mais rica do país e símbolo do poder industrial chinês (Leandro Fonseca/Exame)

China: Guangdong é a província mais rica do país e símbolo do poder industrial chinês (Leandro Fonseca/Exame)

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 5 de abril de 2024 às 11h07.

Última atualização em 5 de abril de 2024 às 11h15.

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou nesta sexta-feira, 5, na China, que os subsídios de Pequim à indústria representam "um risco para a resiliência econômica global" e alertou para o "excesso de capacidade" da produção chinesa. 

Yellen chegou na quinta-feira à China para a sua segunda visita em menos de um ano, com paradas previstas primeiro na cidade de Guangdong, capital da província de Guangdong, e depois em Pequim.

Yellen estimou que a significativa ajuda chinesa à sua indústria pode gerar um excesso de bens nos mercados mundiais, o que poderia criar dificuldades para as empresas americanas e outras.

"A ajuda direta e indireta do governo conduz a uma capacidade de produção que excede em muito a demanda interna da China e também ao que o mercado mundial pode suportar", alertou a responsável pela finanças do governo do presidente Joe Biden a um grupo de empresários americanos em Cantão.

"O excesso de capacidade pode levar a grandes volumes de exportações a preços reduzidos" e a uma "concentração excessiva das redes de abastecimento, colocando em risco a resiliência econômica global", acrescentou.

Relação entre EUA e China

A secretária do Tesouro reuniu-se horas antes com o governador da província de Guangdong, a mais rica do país e símbolo do poder industrial chinês. Yellen insistiu que os Estados Unidos querem "uma relação econômica saudável" com a China. Mas alertou que isso exige "igualdade de condições de concorrência para as empresas americanas" e "comunicação aberta e direta sobre assuntos de divergência".

Nas últimas semanas, Yellen alertou sobre os subsídios significativos do governo chinês a setores como da energia verde, de veículos eléctricos e baterias de lítio.

O excesso de produção sobre o mercado global já aconteceu antes em setores como do aço e alumínio, lembrou Yellen na semana passada.

A secretária também se reuniu com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, considerado uma das figuras mais influentes na política econômica chinesa.

O líder chinês disse que trabalhará para "responder adequadamente às principais preocupações das relações econômicas entre China e Estados Unidos".

"A esperança é que ambos os lados alcancem novos resultados mutuamente benéficos", acrescentou.

"Protecionismo"

Até agora, Pequim rejeitou as preocupações sobre os efeitos de uma produção excessiva. No mês passado, as autoridades chinesas consideraram "protecionismo" a investigação sobre subsídios chineses a veículos elétricos lançada pela União Europeia.

A questão é importante para o presidente Joe Biden, que quer impulsionar a produção de energia verde nos Estados Unidos e fazer desta política um argumento para as eleições de novembro.

"É provável que o governo [Biden] tome medidas para mostrar sua vontade de agir preventivamente para evitar problemas futuros relacionados ao excesso de capacidade chinesa em veículos elétricos", estima Paul Triolo, especialista em China da consultoria americana Albright Stonebridge Group. Pequim pode "reagir negativamente", alertou o especialista.

Apesar destas divergências, ambas as potências parecem empenhadas em estabilizar suas relações após anos de vários pontos de tensão comercial, geopolítica e tecnológica.

A primeira visita de Yellen, há oito meses, ajudou a estabilizar esta relação, principalmente por meio da criação de grupos de trabalho bilaterais.

Desta vez, a secretária do Tesouro também pretende reunir-se com seu homólogo Lan Fo'an e o primeiro-ministro Li Qiang, além do governador do Banco Central, Pan Gongsheng.

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