O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado, 24, impor uma tarifa de 100% sobre todos os produtos importados do Canadá, caso o país conclua um acordo comercial com a China.
A declaração foi feita em seu perfil na plataforma Truth Social. Trump acusou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de tentar transformar o Canadá em um "porto de descarga" para que a China envie mercadorias aos Estados Unidos.
“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, escreveu.
Acordo entre os países
O aviso ocorre após o anúncio de uma parceria comercial entre China e Canadá na semana passada.
A assinatura da parceria estratégica entre China e Canadá representa o ponto mais alto de uma reaproximação que ocorre após seis anos de tensão diplomática.
As relações bilaterais se deterioraram em 2018, quando autoridades canadenses detiveram a executiva Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei, a pedido dos Estados Unidos. Em resposta, o governo chinês prendeu dois cidadãos canadenses sob acusação de espionagem.
A crise diplomática evoluiu para uma guerra comercial. Ambos os países aplicaram tarifas punitivas sobre produtos estratégicos, como canola, carne suína e equipamentos eletrônicos. A comunicação oficial foi reduzida ao mínimo, e visitas de alto nível foram suspensas.
A reaproximação começou a tomar forma em outubro de 2025, durante uma reunião entre Xi Jinping e Mark Carney à margem da cúpula da Apec. A retomada do diálogo coincidiu com a intensificação das pressões comerciais do presidente americano, Donald Trump, que ameaçou rever os termos do acordo de livre comércio com o Canadá.
Em 2024, os Estados Unidos responderam por cerca de 75% das exportações canadenses, enquanto a China ocupava o segundo lugar, com apenas 4% de participação, segundo dados do governo canadense. Diante da dependência do mercado americano, Ottawa buscou diversificar suas relações externas.
A visita de Carney a Pequim — a primeira de um chefe de governo canadense em oito anos — consolidou a reabertura diplomática. O acordo prevê reduções tarifárias em setores-chave, como veículos elétricos e produtos agrícolas, além da isenção de vistos para turistas canadenses. O gesto foi descrito por Carney como um passo “histórico” rumo a uma nova fase de cooperação.
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