Transição política da Líbia parece não ter fim

Politicamente, o país está paralisado praticamente desde as eleições de 6 de julho, pleito no qual surgiu o Congresso Nacional Geral (CNG)

Trípoli- A incapacidade dos novos dirigentes líbios de consolidar a autoridade e de encontrar uma solução às grandes carências e aos vários conflitos surgidos após a queda do regime de Muammar Kadafi em 2011 continuam paralisando uma transição política que parece não ter fim.

Politicamente, o país está paralisado praticamente desde as eleições de 6 de julho, pleito no qual surgiu o Congresso Nacional Geral (CNG) que tomou o bastão do Conselho Nacional de Transição (CNT), encarregado de dirigir o país durante a revolta popular armada que derrubou Kadafi em 2011.

As desavenças entre os parlamentares, em sua maioria independentes devido à legislação eleitoral, atrasaram a formação de um governo de transição, dirigido por Ali Zidan, até o último dia outubro.

Antes, os legisladores tinham outorgado e retirado a confiança a um fugaz primeiro-ministro Mustafa Abu Shagur, acusado de favorecer algumas regiões mais do que outras e que se mostrou incapaz de apresentar um Executivo que deixasse a Assembleia Legislativa satisfeita.

Mas, além disso, o Executivo de Zidan, que também não se livra das reservas de muitos dos deputados, não recebeu o sinal verde definitivo até 27 de novembro, quando o Órgão Supremo para a Aplicação dos Critérios de Integridade e Patriotismo outorgou sua confiança à maioria dos 30 membros do gabinete.

Paralelamente ao lento e tumultuado despertar do novo Governo, o Parlamento também não é capaz de chegar a um acordo sobre os critérios para a criação de uma comissão que se encarregue da elaboração de uma Constituição, sua principal missão.


Segundo o 'Anúncio Constitucional', um roteiro elaborado no verão de 2011, a Carta Magna deveria ser finalizada antes de um ano desde a formação do CGN para ser submetida a um referendo e, posteriormente, realizar eleições legislativas.

No entanto, a lentidão com a qual avança todo o processo, em parte também fruto das rivalidades políticas, regionais e tribais, não parece favorecer o cumprimento dos prazos marcados.

Um dos dirigentes do minoritário partido Al Watan, Ismail al Qrintli, disse à Agência Efe que esta estagnação se deve, além da incapacidade das autoridades, à persistência da 'corrupção política e econômica'.

'A estabilidade, a paz e o desenvolvimento sempre serão ameaçados se não extirpamos a corrupção pela raiz', indicou Al Qrintli.

Além disso, outros dos principais desafios dos novos dirigentes políticos, além da reconstrução e reativação das instituições e órgãos do Estado, é o de absorver e desarmar as várias milícias que seguem operando no país, muitas vezes impondo sua própria lei, em um claro desafio ao governo de Trípoli.

O último dos exemplos desta queda de braço de força foi registrado no início de dezembro, quando um grupo de milicianos forçou o fechamento da refinaria de petróleo de Al Zawiya, no oeste de Trípoli, para pedir que vários companheiros com sequelas da guerra fossem tratados no exterior.


O chefe de Estado-Maior, Youssef al Mangush, reconheceu recentemente a um canal árabe a existência de 'grandes problemas' de segurança, assim como dificuldades para controlar a situação.

O ataque armado, em 11 de setembro, ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi, no qual morreram assassinados o embaixador americano, Christopher Stevens e outros três funcionários, não fez mais do que confirmar a precária segurança que reina no país, especialmente nesta cidade, a segunda mais importante da Líbia.

Desde o meio do ano, vários responsáveis de segurança foram assassinados na cidade, capital das forças rebeldes durante a revolta.

Em 20 de novembro, foi registrado o último episódio de violência com a morte do diretor da Segurança Nacional para Benghazi, Faray al Darsi, assassinado a tiros quando retornava a sua casa.

'Nada mudou realmente na Líbia, além do fato de que os líbios têm agora uma liberdade que não conheciam no antigo regime', sentenciou à Efe o chefe de redação do jornal nacional 'Al Gad' que, da mesma forma que muitos de seus compatriotas, é consciente da dificuldade de deixar para trás uma Líbia 'revolucionária' para criar um 'Estado democrático''. EFE

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